segunda-feira, 13 de junho de 2011

守破離 SHUHARI

SHU: 守: しゅ: obedecer/protejer.

HA: 破: は: romper/modificar.

RI: 離: り: separar/superar.

É o termo em Artes Marciais japonesas que engloba o processo de aprendizagem e maestria de uma ou mais técnicas, obedecendo esta ordem: SHU, HA, RI.


É um termo antigo para denominar os diferentes níveis de aprendizado das técnicas.

A aprendizagem da técnica implica, em uma primeira fase um simples exercício de observação. É a partir dessa observação gestual, que o aluno reproduz e assimila. Essa assimilação da forma exterior do movimento. Esta etapa tem o nome de SHU. Palavra que tem sua origem em Mamaru, e significa proteger, observar uma regra.  

Na fase de SHU se pretende proteger a forma para conservar-la. É uma etapa onde se assimilam fisicamente as bases e fundamentos da arte. É a parte onde se estuda e memoriza os movimentos da forma. A reprodução do forma se limita a uma reprodução física. É um estudo elemental, que se denomina como Ushin (estado de pensamento presente), que expõe a primeira preocupação do aluno, aquele de reproduzir o que ele vê primeiramente. Entretanto é a mente que faz as técnicas. O estudante observa a técnica do Instrutor e a reproduz, adaptando-a a sua própria constituição física. É um estudo pela imitação ou cópia da forma exterior. Resulta da representação mental de uma imagem ou movimento. O Budoka tem uma representação mental da técnica base que vai executar. Quanto mais nítida for essa representação, mais possibilidades de que a execução seja perfeita. Esta representação é feita pela utilização da memória visual, tátil, auditiva, labiríntica e sinestésica ( capacidade de unir o corpo e a mente para atingir o aperfeiçoamento do desempenho físico. Começa com o controle dos movimentos automáticos e voluntários e avança para o uso do corpo de maneira altamente diferenciada e competente). Consiste em uma programação antecipada do ato motor. O córtex ou córtice cerebral (manto de tecido nervoso que cobre a superfície dos hemisférios cerebrais) é a base anatômica desta função. Uma imagem de movimento é transmitida para os centros nervosos adequados, região temporo-frontal (lóbulos cerebrais temporal e frontal). Em seguida se dá um impulso motor voluntário como uma transmissão de imagem para os nervos neurais, piramidais, corticais até os músculos, que realizarão as contrações musculares necessárias. Após a execução se faz uma regulação motora, onde ocorre uma tentativa permanente de adaptar a técnica à representação mental inicial. Esta primeira fase de aprendizagem da técnica é uma fase cognitiva (aquisição de conhecimentos). A compreensão do objetivo proposto e os componentes da tarefa motora constituem as principais preocupações do Budoka. Este terá que analisar a tarefa, decidir o que fazer, o que não fazer, quando fazer e selecionar as informações mais relevantes. É um estado onde o aluno aprende. A característica desta fase é uma quantidade enorme de erros que são cometidos na realização, pois o estudante tem dificuldade em perceber o que está errado e distinguir o que corrigir a fim de melhorar sua realização. A ajuda do Instrutor é indispensável para fornecer-lhe uma informação mais relevante para a realização da tarefa. O feedback (retrocedimento), ou qualquer informação anterior suplementar é importante nesta fase. O Budoka sente seu progresso e o domínio cada vez maior da técnica, assim como lhe foi demonstrado e assim como ele imita. Visto de outra maneira, é também uma fase em que o ego se exalta pelos evidentes progressos. No Budô, esta fase também é conhecida como nível Shoden, o nível básico de treinamento.

HA
破, significa destruir. É um princípio de interiorização do estudo por uma destruição da forma imitada. É uma busca do que há na forma. É uma etapa muito rica da técnica. Que consiste na destruição da forma. É uma etapa de estudo profundo de uma técnica, junto a um instrutor capacitado para ensinar, procurando o descobrimento de todos os seus segredos. Exteriormente poderá não haver diferença visível da execução da técnica, mas o trabalho mental é intenso, implica uma desconexão entre o movimento e a mente. É a fase de estudo e de compreensão da utilidade de cada movimento. Isto tem um significado cognitivo que é sentido fisicamente. Tem transcendência no progresso no estudo. Pois, a sensação física da execução de uma técnica perfeita e eficaz deve ser acompanhada de uma necessária compreensão intelectual. Assim se sente o que faz, sabe porque se faz e pode explicar a razão do que se faz. Este, é um estado de criação interior, último estado no plano técnico. Em termos psicomotores, esta segunda fase se caracteriza pelos aumentos de consistência e estabilidade na realização da tarefa motora. O número de erros tende a diminuir. Que revela que o Budoka se encontra neste nível. Este passa a ser capaz de determinar e corrigir os erros de sua realização. Os movimentos deixam de ser brutos e se tornam mais harmoniosos e fortes. Se observa uma redução de sincinesias (movimentos que se realizam de forma involuntária, ao contrair um grupo de músculos, ao realizar outro movimento sobre o que focamos nossa atenção.). O processo de aprendizagem implica frequentemente um controle de reflexos ou sua inibição. É um processo de dissociação de sincinesias, ou seja, inibir um passado motor inato ou adquirido. É feito de modo voluntário por ele mesmo. Para isolar a zona, tomando consciência da contração exagerada ou inadequada e reduzir a tenção. No Budô, esta fase é conhecida como nível Chuden, que é um nível intermediário de aprendizagem.

RI
離, corresponde a um estado de Mushin (perfeita liberdade de estado mental, sem pensamento, sem mente.), o espírito sem limites, significa separar, suprimir. Neste estado ocorre uma execução técnica no momento correto. A técnica flui sem reflexão prévia. Nesta fase o Budoka se esquece da forma porque se executa um ato conforme a técnica, uma vez é a técnica, uma vez faz a técnica. Nesta fase, os aspectos psicomotores, a independência de performance motoras relativas à necessidade de atenção consciente sobre a execução da tarefa caracteriza a terceira e última fase de aprendizagem, a fase autônoma. O sujeito domina e automatiza o movimento, então se libera para focar em outros aspectos relevantes, como uma crescente capacidade de antecipar a resposta em função de um determinado estímulo. A baixa frequência de erros é evidente e se manifesta em um elevado nível de resposta. No Budô, esta fase se denomina nível Okuden, o nível superior de treinamento, onde o ensinamento/aprendizagem se realiza de coração para coração (Kokoro No Kokoro), ou seja, diretamente do instrutor para o aluno, aqui, o instrutor transmite de forma verbal e através do sentimento, os ensinamentos.

SHU HA RI e
SHIN GI TAI, é o conjunto de espírito, caráter (Shin); de técnica (Gi); e dos elementos corporais (Tai), como uma posição, o movimento, uma energia física. Cada um destes elementos tem uma intensidade diferente em cada uma das etapas Shu Ha Ri. No primeiro estágio SHU, o dominante é Gi e/ou Tai. Neste estágio, um movimento, uma imitação do movimento, uma reprodução da forma mostrada, é essencialmente técnico e físico. O espírito se encontra em estado de Ushin (estado de pensamento presente). Na etapa HA, o estudo continua e ocorre através das sensações físicas, mas também através de uma compreensão cognitiva cada vez mais intensa. Seu predominante é todavia Gi ou Tai, ou ambos. Pois, o Budoka continua em estado de Ushin.

Na última etapa, RI e SHIN GI TAI, harmonizam e se fundem. O Budoka alcança um estado de Mushin (perfeita liberdade de estado mental, sem pensamento, sem mente). É possível a reação espontânea diante qualquer ataque, com eficácia absoluta do corpo e da técnica.

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