sábado, 14 de junho de 2014

JISSEN GATA (Luta Real)

As lutas reais são sujas. Na luta não se trata de grandes o pequenos, fortes ou fracos. Se trata de saber vencer o seu oponente a todo custo e ter coragem para tudo. A primeira coisa que tem que fazer é manter a distância e avaliar o seu oponente, controlar seu jogo de pernas para ter uma ideia da situação antes de atuar.
Todas as Artes Marciais e esportes de contato como o Boxe ou Karate, tem sua própria forma de mover-se. Você deve ter olhos não somente para a Arte da Bujinkan, você deve ter olhos para outras Artes Marciais, senão, não se pode realmente ser efetivo. Sempre observe cuidadosamente o seu oponente. É necessário utilizar os primeiros segundos de cada situação para avaliar o comprimento de sua lâmina, braços, etc. Nunca mostre ao seu oponente o comprimento de sua arma. Guarde-o, assim como o ângulo em que aponta, para que seu oponente não possa conhecer o seu verdadeiro comprimento. Não está lutando contra um oponente, está lutando contra o desconhecido. Se fizer algo que vai salvar sua vida, então seu Taijutsu é bom.

Em um combate de verdade, não se preocupe com o que é bonito ou estético. Se não utilizar a enganação, suas possibilidades de sobreviver são somente 1 em cada 48.
Nagato Sensei: “Somente quando o seu Taijutsu se tornar instintivo, ele será útil para poder sobreviver”.
Tem que estar preparado para isso. Você pode passar para o Shinken Gata (Combate Real) a qualquer momento. Em um minuto está rindo e falando animadamente e no minuto seguinte está sendo atacado. Para isso tem que se preparar e treinar corretamente. Isso não tem nada a ver com ser grande ou pequeno, forte ou fraco. É a vida, você tem que vivê-la!
Muitas pessoas sentem que tem que vencer por nocaute. Isto é o que acontece por olhar ou pensar com a mentalidade de outros esportes.
Por quê não cortar e, em seguida, dar um passo para atrás para ver como ele sangra até morrer?
Isto é o que distingue o Budô de mero esporte. Não hesite, nem perda seu tempo, em um confronto real, se o fizer, está morto. Em um combate de verdade, deve ter coragem (Dokyo), se não tiver, suas pernas tremerão enquanto pensa no que deve fazer, aí é quando a morte te surpreende, mas se tiver coragem, a resposta virá até você em um instante e sobreviverá.

Você não quer somente matar seu oponente fisicamente, quer matar seu espírito também.
Precisa demonstrar isso: “Posso te matar aqui… ou aqui… ou aqui também”.
Consequentemente sei que posso te matar. Sempre que falo de “matar”, não estou falando de assassinato, estou falando de “matar o espírito” e alcançar a derrota dos inimigos. Precisa ser capaz de sentir sem olhar o seu inimigo… Tem que estar preparado para agir contra eles em qualquer momento, mesmo se não estiver buscando… Isto não se trata de um contra um. Esconda suas intenções e sua personalidade. É como lidar com um animal selvagem, se tentar agarrá-lo, ele irá fugir, esta é a reação natural. Então, quando puder, não se meta em uma luta com a intenção de cortar desta ou daquela maneira ou fazer esta ou aquela técnica. Tem que ser capaz de criar oportunidades. Mantenha-se em movimento, se deixar de fazer isto, estará dando suas aberturas (oportunidades) ao oponente e ele poderá te matar. Se você está de pé, o que você está fazendo é só uma técnica, não Taijutsu, o Taijutsu é muito mais. Seus recursos devem ser colocados em prática para que seus punhos fiquem vivos. Mesmo que você não possa “deixar o movimento viver” e seguir fluindo, se mova para algo mais, isso é Kyojitsu (Falsa Verdade). Se não puder fazer isto, certamente morrerá quando se encontrar em uma situação assim.

Se estamos falando de algo real, é importante reconhecer que os socos e chutes falham, é natural que possam falhar. Se está disparando uma pistola em um combate com fogo real, por exemplo, as possibilidades de obter êxito são pequenas. Somente quando se compreende que o fracasso é natural e tiver a coragem de seguir fluindo, então está bem, você vai se concentrar. Isto é o que separa o verdadeiro Budô dos esportes Marciais, pois você não está tentando marcar pontos para ganhar, você está tentando se manter com vida, esta é a grande diferença entre o Budô e o esporte Marcial.
Em uma situação real, as circunstâncias e os cenários serão diferentes, tudo vai ser diferente. Deve ser capaz de responder a estas mudanças. Somente então você vai entender. Nunca se conforme e esteja simplesmente satisfeito só com o que te foi ensinado, se o fizer, seguramente morrerá em um combate verdadeiro. Tudo é muito rápido. Não importa se golpeou aqui ou não, deve continuar com o movimento seguinte. Não tente memorizar as técnicas ou se lembrar delas, muito pelo contrário, desta forma suas Artes Marciais virão à tona em uma situação real e sobreviverá.

Em combate real você não tem tempo para lembrar as técnicas, pois seu tempo de reação seria muito lento. Treine de modo que não interfiram em suas reações. Em combate real o mais importante é o movimento natural. Nós devemos nos afastar do conceito que tem em muitas Artes Marciais hoje em dia, que enfatizam o treinamento para vencer um único oponente, isto é uma verdadeira vergonha. Ao fluir, aprende a usar o que foi treinado e será capaz de lidar com múltiplos oponentes. Geralmente se acredita que quando se enfrenta vários inimigos, se encontrará em desvantagem, mas há momentos em que pode ser uma vantagem maior. Tudo o que você precisa é mudar e criar uma situação para sobreviver. Se tem um monte de comida e você comê-la toda, o que ocorrerá é que vai ficar doente rapidamente. Da mesma forma, se tem muitos agressores, tome seu tempo. Se você for muito rápido, você vai deixar muitas aberturas que te expõem perigosamente. Às vezes, quantos mais inimigos tiver, mais fácil é se defender. Não olhe as armas! Não olhe o seu inimigo! Olhe ao seu arredor. Nunca se sabe quantos inimigos podem estar ao seu arredor. Há ocasiões que são para matar e outras para não matar. Por favor, tenha isto sempre presente e considere muito sério sempre as consequências de suas ações. Matar é inerente à todos os seres humanos. Afinal, somos apenas animais, mas aprendemos a encurralar e controlar ou conter estas tendências. Em uma situação de vida ou morte, no entanto, deve estar preparado para assumir, por vezes, a ideia de matar ou morrer. Se você teve má sorte ou não reconhecer a hora de avaliar corretamente a situação em um combate de verdade, pode morrer.
É muito importante recordar que as pessoas vivem situações em que elas podem chegar a morrer. Por favor, lembre-se disto quando treinar.

Por Masaaki Hatsumi
Traduzido por Galleni Junior

domingo, 18 de maio de 2014

護身術 GOSHIN JUTSU (Defesa Pessoal)

No vasto universo das Artes Marciais, a Defesa Pessoal é uma das poucas Artes que não são voltadas para competição. Não existem campeonatos ou eventos, pois seu objetivo é permitir ao praticante a segurança e a preservação da sua vida em uma situação de risco.

No Japão, a Defesa Pessoal é conhecida popularmente como Goshin Jutsu:

GO: Proteger
SHIN: Corpo
JUTSU: Arte.

Portanto, Goshin Jutsu seria a "Arte da Defesa Pessoal" ou "Arte de Proteger o Corpo".

Quase todas as Artes Marciais japonesas possuem sua parte de Goshin Jutsu, naturalmente por serem lutas, mas com estilos diferentes e particulares. Encontramos o Goshin Jutsu no Ninjutsu, no Judô (Kodokan Goshin Jutsu), no Aikidô, no Karatê e em algumas outras Artes Marciais.
Nesta Arte, aprende-se a desarmar um agressor, evitar e controlar ameaças usando objetos e o ambiente como arma, aliado ao raciocínio rápido.
Geralmente são técnicas básicas de fácil aprendizado, sendo que uma única técnica pode ser aplicada contra um ataque desarmado ou armado.


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

REGRAS DE ETIQUETA E COMPORTAMENTO NO TATAMI

Quando você entra no Tatami, entra num mundo diferente, num mundo de guerreiros. Pode ser um lugar de respeito e amistosa camaradagem ou um covil de paranóia e desconfiança. No Tatami atacamos e somos atacados, aprimorando a nossa capacidade de responder intuitivamente. As regras e os comportamentos de etiqueta nos permite praticar Ninjutsu com segurança, além de disciplinar e redirecionar as reações agressivas desenvolvendo os sentimentos de compaixão e respeito dentro e fora do Dojô. 
  1. Este Tatami segue as regras tradicionais de boa conduta. Cabe a cada estudante honra-las e segui-las com sinceridade.
     
  2. Respeite seu Mestre, respeite o professor, respeite o Tatami, respeite seu Keikogi, respeite as outras Artes Marciais e respeite os colegas de treino.
     
  3. Respeitar, Respeitar e Respeitar, é um pensamento constante dentro do Dojô.
     
  4. Cada aluno deve cooperar para criar uma atmosfera positiva de harmonia e respeito.
     
  5. É prerrogativa do professor decidir se irá ou não tomar você como aluno. A técnica não se compra.
     
  6. Mesmo estando fora do Tatami, mantenha o respeito durante os treinos e não tire atenção de quem está dentro do Tatami.
     
  7. O Tatami não deve ser utilizado para outro fim a que se destina, salvo expressa ordem do professor.
     
  8. Evite frequentar as aulas se estiver com alguma doença transmissível por ar ou contato.
     
  9. Se estiver com alguma lesão ou incapacidade física comunique ao professor, antes de iniciar o treino.
     
  10. Cuide da sua higiene: o Keikogi deve estar sempre limpo e lavado e as unhas bem aparadas, para evitar ferir um companheiro.
     
  11. Remova toda e qualquer jóia, aliança, relógio, corrente ou qualquer acessório que prejudique seu treino e dos seus parceiros. Cabelos compridos devem ser presos com elástico e não com presilha.
     
  12. É proibido fumar ou fazer uso de bebida alcoólica em todas as dependências da academia inclusive vestiário e banheiro, assim como chegar embriagado para o treino.
     
  13. A academia é de responsabilidade de todos que usam seu espaço. Mantenha a mensalidade em dia, pois ela que mantém as despesas do local e da à você a oportunidade de mostrar um pouco de gratidão pelas lições recebidas.
     
  14. Sinta-se em casa para dar informações a visitantes, arrumar o que estiver desarrumado, limpar o que estiver sujo.
     
  15. Se precisar ausentar-se por algum tempo dos treinos por viagens ou doença avise o professor.
     
  16. Ao entrar ou sair do Tatami faça sempre reverência.
     
  17. Não pise calçado no Tatami.
     
  18. Não ande descalço fora do Tatami.
     
  19. Não entre no Tatame comendo ou até mesmo mastigando chiclete.
     
  20. Evite atraso, se por motivo de força maior chegar com a aula já iniciada, entre no Tatami discretamente, pedindo licença ao professor, faça uma reverência ao professor e se adapte ao ritmo dos exercícios, evitando que seu atraso prejudique o treino.
     
  21. Não abandone o Tatami durante a aula. Se você precisar sair temporariamente do Tatami peça autorização; deve-se pedir autorização até mesmo para usar o banheiro ou tomar água. 
  22. Ao entrar no Tatami esvazie a mente dos problemas diários e foque no treinamento.
     
  23. Evite conflitos de ego no Tatami. O Tatami não é um ringue de competição de vaidade. Você deve treinar para dominar seus próprios instintos agressivos.
     
  24. Treine exatamente como orientado pelo professor.
     
  25. Jamais se deve contra argumentar com o professor, não há lugar para discussões em um Tatami.
     
  26. Respeite o Mestre ou professor e seus ensinamentos da forma como forem transmitidos pelo professor. Nunca argumente com o professor, mesmo que outro instrutor tenha dito algo diferente. Existem várias formas de se executar as técnicas e você deve seguir cada instrutor, em cada aula, no melhor de sua capacidade.
     
  27. Quando o professor demonstrar uma técnica, preste atenção e faça perguntas na hora apropriada.
     
  28. Não deixe de fazer nenhuma técnica (a não ser que esteja machucado).
     
  29. Quando o fim de uma técnica for determinado, pare imediatamente. Faça uma reverencia e agradeça seu parceiro.
     
  30. Não recuse a treinar com nenhum parceiro.
     
  31. Respeite os mais graduados. Evite discutir sobre a técnica.
     
  32. Respeite os menos graduados. Não inviabilize sua prática.
     
  33. Os mais graduados devem, por sua vez, treinar as técnicas sempre com os menos graduados, conduzindo o movimento, em caso de dúvida. Mas nunca devem corrigi-lo ou instrui-lo, a menos que tenha autorização, isso cabe ao professor.
     
  34. Nunca pense que estará atrapalhando alguém por não saber executar algum movimento, todos estão aprendendo, uns ajudando aos outros.
     
  35. Esteja consciente do que ocorre ao seu redor. Dose a intensidade dos movimentos principalmente com os menos graduados. tenha responsabilidade sobre você mesmo e seu companheiro de treino.
     
  36. Treine com firmeza e energia, mas sempre respeitando a integridade física do colega. Durante as aulas  sempre pessoas de diferentes sexos, idades, capacidade física, habilidades e possibilidades diferentes. Tenha consciência de suas limitações. Cada indivíduo tem suas razões para estar no Tatami. Respeite a todos.
     
  37. As metas de treinamento de cada parceiro devem ser levadas em consideração.
     
  38. Procure participar dos eventos: Seminários, demonstrações, palestras, limpezas gerais, comemorações, etc. A sua evolução no Ninjutsu está inteiramente vinculada a presença nesses eventos.
     
  39. O Ninjutsu é um meio para o desenvolvimento pessoal, para o treinamento do corpo, mente e espírito. Respeito, sinceridade, humildade, cooperação, harmonia e boa vontade são condutas essenciais aos praticantes desta Arte.

QUALIDADES PARA SER UM BOM PROFESSOR

É característica de um bom professor ter liderança e ser capaz de conseguir que outros o sigam, de provocar mudanças comportamentais e funcionais para a melhora do desempenho. A liderança, portanto, é o processo de influenciar o comportamento e motivar o indivíduo a atingir algum resultado, sendo o professor responsável pela supervisão da aula e apoio aos alunos que estão treinando.

Ocorre em diferentes escolas de Artes Marciais a participação de alunos em acontecimentos desagradáveis como confusões, brigas e outras. Talvez seja por uma inadequada formulação das aulas, dos seus objetivos e da qualificação dos professores. Há a necessidade de uma formulação de diretrizes educacionais que gerem mudanças nesse quadro social-desportivo.
 

Existem barreiras que devem ser superadas para a adequação da prática de Artes Marciais, aos conceitos éticos e morais de convívio em sociedade contemporânea:
 
  1. Conhecimento inadequado do assunto a ser tratado na aula, e falta de interesse nos fatores que podem ser modificados.
  2. Falta de conhecimento das estratégias necessárias para modificar tais comportamentos.
  3. A cultura desportiva valoriza certos princípios e desvalorizam outros. 
Não enfatizar a moral, o respeito e a disciplina na sequência didática das aulas e na relação psico-social entre praticantes, professores e adeptos em geral, pode estar contribuindo para que as barreiras sejam difíceis de serem superadas num momento ou por uma parte da população que pratica Artes Marciais.

As habilidades de um professor podem ser relacionadas a tarefas ou a relacionamento, associadas à liderança efetiva. As tarefas se multiplicam e só são assimiladas com estudo, empenho e experiência. Entre elas:

  • Planejamento de exercícios apropriados aos objetivos.
  • Modificação da intensidade e do tipo do exercício.
  • Explicação das precauções em diferentes situações.
  • Esquematização do programa de treino e de equipe.
  • Capacidade de decisão em emergências.
  • Marketing pessoal e de grupo.

No relacionamento associado à liderança efetiva temos exemplos como:

  • A capacidade de ouvir.
  • Atenção às necessidades individuais.
  • Interesse no que diz respeito a novos integrantes do grupo.
  • Aceitação das diferenças individuais.
  • Atenção para a integração do grupo.
  • Habilidade para educar.
  • Capacidade de motivar a equipe.
  • Persistência, honestidade e diplomacia.
  • Afinidade, empatia e outras vias de comunicação com os alunos.

As características e personalidades dos praticantes determinam o estilo de liderança e aí certas características devem ser avaliadas, como o estado de saúde, idade, objetivos e necessidades, classe sócio-econômica e nível educacional. Dentro de qualquer situação e característica dos participantes, um mestre deve ser capaz de manipular o equilíbrio entre os componentes da tarefa-orientada e do relacionamento-orientado, que devem ser incluídos com presença obrigatória nas aulas de Artes Marciais.
 

O estilo de liderança e o equilíbrio na utilização dos comportamentos, quanto às tarefas e o relacionamento, são determinadas de acordo como a situação se apresentar. O tipo de liderança para o indivíduo destreinado e obeso, interessado em perda de peso, é diferente daquele estilo de liderança para atletas preparados ou mais ainda para aqueles que já conseguiram atingir o profissionalismo e deixaram para trás o nível estandardizado de treinamento. A liderança é essencialmente um modo contínuo de estilos, desde o autoritário até o democrático e liberal. Nas situações onde a liberdade de pensamento é reprimida o mais utilizado é o autoritário (como no exército). Em outros casos onde há livre pensamento e a estrutura é resistente, ao estilo flexível é mais indicado. Neste contexto didático-pedagógico observam-se diferentes casos de alunos que só atendem através de comando e vivem na subserviência ou aqueles que se estruturam e decidem seus caminhos, seja orientado por um mestre ou por simples autodeterminação.
 

A motivação auxilia na liderança, nas mudanças que ocorrem e na manutenção dos anos de treino. Orientações com o conhecimento das razões que levam a um comportamento adequado, como saber quais as estratégias para motivar o aluno, que provavelmente, serão úteis para que os praticantes sejam maduros e ativos por mais tempo. A motivação do aluno para mudar ou manter comportamentos saudáveis, depende da educação da tomada de decisão e das habilidades competitivas, assim como a auto-avaliação do desempenho.

A motivação é maximizada quando os praticantes sentem controle sobre os objetivos e as atividades, se são bem sucedidos ou seus esforços são recompensados, de forma intrínseca com auto-estima e autoconfiança ou extrínseca com valorização social e econômica.
 

É então um princípio fundamental na adoção de mudanças comportamentais nos praticantes de Artes Marciais.

Desta forma os adeptos de Artes Marciais devem ter uma premissa de auto-responsabilidade que é central para as mudanças de comportamento pessoal mais saudável.

O bom professor deve programar suas aulas, procurar se reciclar em diferentes conhecimentos, práticos e teóricos, esclarecer suas dúvidas sobre seus procedimentos de ensino, reconhecer suas dificuldades e as necessidades individuais dos alunos. Cabe a ele selecionar os objetivos apropriados para vários grupos, permitir oportunidades de escolha, proporcionar o feedback e replanejar as aulas de acordo com a aprendizagem. O especialista deve ser capaz de ensinar a ciência da arte de lutar, tornar as atividades agradáveis e compensadoras. Essas habilidades podem ser ensinadas e, portanto, o interesse e o conhecimento nesta educação direcionada, é uma parte indispensável da liderança efetiva que os professores devem estar preparados para exercer no contexto das suas aulas de Artes Marciais.

SAUDAÇÃO E ETIQUETA NO BUDÔ

No Budō o Reigisaho tem uma importância fundamental. Para o praticante ocidental, com tradições culturais diferentes das orientais, as exigências da saudação nas Artes Marciais japonesas, como o Ninjutsu, Judō, o Aikidō, o Karaté-Dō, entre outras, são comportamentos que lhe são estranhos e que por vezes adquirem um caráter tão só de obrigatoriedade. Todavia, qualquer Arte Marcial pressupõe a existência de uma severa disciplina na sua execução e aprendizagem; uma arte oriental não se pode conceber sem etiqueta. Diz-se que a Arte Marcial japonesa começa e termina pela delicadeza e respeito mútuo, indispensáveis à elevação da personalidade.

O Dōjō deve ser um local onde se desenvolve uma personalidade forte, com qualidades como a humildade, a lealdade, a cortesia, onde o caminho deve ser o de um conhecimento cada vez mais profundo de si mesmo, onde é importante ter presente o significado da saudação, da cortesia, da etiqueta. Porquanto o Dōjō é um "Lugar da Iluminação."

A compreensão da importância do cerimonial é fundamental. A saudação é uma introdução à aula que permitirá ao praticante afastar a mente das preocupações e stress quotidianos, permitindo-lhe a concentração que a prática das Artes Marciais exigem.
Por outro lado, as Artes Marciais tradicionais desenvolvem, através da sua prática a agressividade de cada indivíduo (não confundir com violência). A saudação evita a degeneração de comportamentos agressivos, impedindo a falta de respeito pelo parceiro de treino.
Em todas as Artes Marciais tradicionais, podemos encontrar o Reigisaho, concretizado de modo diferente de Arte para Arte, mas mantendo, quase sempre, o mesmo espírito e função.

No Ocidente, a aceitação ou rejeição do ritual da saudação, correlaciona-se com a atitude, mais ou menos tradicional que os praticantes têm com o Budō. Nas escolas tradicionais, havendo um processo mais profundo de aceitação da cultura oriental, a forma de estar destes adeptos, dentro e fora do Dōjō, na prática marcial e na vida, traduz, em regra uma maior compreensão da etiqueta tradicional.
Tradicionalmente, no Budō a etiqueta deve ser uma constante da vida. Os gestos devem ser belos, precisos, lentos, mesmo os mais quotidianos, como sentar ou levantar, caminhar ou dar algo a alguém. Pois toda ação deve ser executada de modo a permitir, na fração de segundo depois de um ataque surpresa, para usar uma resposta eficaz.
É entendido, tradicionalmente, que a forma de saudar, só por si, revela o nível de compreensão da arte.
A função psicológica da prática marcial é influênciada pela saudação. A forma de o fazer poderá dar-nos indicações sobre a personalidade de um praticante, se ele é tímido, agressivo, reservado, etc...
A saudação interfere não só com as funções psicológicas, mas também com as funções fisiológicas.

A saudação, considerada num plano prático, é uma tomada de consciência do corpo e do controle respiratório através de um movimento bem simples. E isto é tão verdade, que a estabilidade e segurança de um mestre, na saudação, são evidentes. De tal modo que o contrário também é verdadeiro. O valor marcial de um indivíduo revela-se na saudação. Não é credível que alguém que não consiga manter-se sentado de modo estável para saudar, consiga executar com eficiência um outro movimento. 
"Quase de forma majestuosa, porque toda sua experiência, seu conhecimento, sua humildade estão presentes na saudação."

Em um Dōjō podem encontrar-se vários tipos de saudação.
A prática marcial começa com uma saudação interna, a saudação a si mesmo, dirigida ao íntimo de cada um, com a qual se pretende alcançar o Mestre Interno.

Ao entrar no local de prática há uma primeira saudação exterior, aquela que é feita ao Dōjō, com a qual se demonstra respeito ao lugar da prática.
Com o início da aula todos os praticantes executam, ao mesmo tempo, uma saudação à tradição passiva. Esta saudação feita em direção ao Kamiza, (local dos deuses), onde simbolicamente a tradição passiva se condensa, é o Kamiza Ni Rei, ou Shomen Ni Rei. Representa o respeito pelos mestres que nos antecederam, pela cadeia de transmissão do saber. Exprime o respeito pelas gerações anteriores, que nos legaram a arte com sofrimento e por vezes com o custo da própria vida. É não só uma humilde e sincera homenagem à tradição passiva, mas também uma forma de inspiração no seu exemplo.
No fim de cada aula repete-se o percurso novamente.
Algumas escolas tradicionais, ainda cultivam o Senpai Ni Rei, saudação entre os alunos mais adiantados e os mais novos – o Mestre já não faz a saudação. Representa o respeito que é devido pelos mais novos aos anciãos – Senpai.

Durante a saudação, o estado de alerta, Zanshin, e de antecipação deve ser permanente para evitar um ataque surpresa. Este estado tem a ver com a percepção paranormal desenvolvida pelas Artes Marciais tradicionais, pelo maior ou menor potencial de Ki do praticante. Mas neste trabalho não desenvolveremos estes temas, pois são questões que agora não nos ocuparão.

A maneira de efetuar a saudação tem vários entendimentos: um marcial, outro energético e outro simbólico.

No plano energético, a mão esquerda está associada à energia negativa (Ura) e a mão direita à energia positiva (Omote). Aquela tem um efeito destrutivo, esta tem um efeito construtivo.
O descer da mão esquerda à terra é um gesto simbólico da recusa de fazer mal, em relação àquele que é saudado. Em simultâneo, o contato da mão com o chão neutraliza a potencialidade energética desta mão destruidora.

Com a colocação das duas mãos no chão, estas formam um triângulo equilátero.
No plano marcial a finalidade é a de evitar um ferimento grave no nariz. Em caso de ataque à cabeça por parte de um adversário, o nariz está protegido e não será esmagado no chão.

A nível energético permite a circulação de energia em circuito fechado, possibilitando a concentração mental.
Este gesto simboliza a reunião de três lados: o homem, o céu e a terra. Também simboliza a junção entre tradição passiva e a tradição ativa, em que o Mestre desempenha um papel fundamental: é ele que transmite o conhecimento que já anteriormente lhe tinha sido transmitido. É um circuito de transmissão do conhecimento.

O triângulo simboliza também a capacidade de defender, assim como também a de atacar.
A consciência do elevado valor energético e marcial da etiqueta e da cortesia deve estar sempre presente naqueles que seguem o Budō.

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