quinta-feira, 21 de abril de 2011

TERMOS: KOHAI, SENPAI, SENSEI e SHIHAN

先輩 SENPAI

Inúmeros são os intrutores que "amam" usar a palavra "SENPAI" referindo-se aos "Faixas Pretas" ou "estudantes seniores" como tal, mas isso é um grande erro!

Ao falar sobre SENPAI é OBRIGATÓRIO falar na relação:
SENPAI (先輩)
KOHAI (後輩).

SENPAI é um estudante sênior (designado pelo SENSEI) que se torna responsável por um ou mais KOHAI (estudantes) para ensinar-los informações básicas sobre o Ryû (流) ou escola.

Frequentemente esta relação é conhecida "irmão mais velho / irmão mais novo" dentro do Japão tradicional e deveria ser feito de idêntica maneira dentro das escolas de Artes Marciais.

Ou seja, um SENPAI encarregado de um ou mais estudantes específicos e não de uma turma completa.

Naturalmente, este não é o caso das escolas ocidentais onde o SENPAI é conhecido pelos outros alunos, mas nenhum KOHAI respectivo é encontrado ou designado...

Geralmente, SENPAI é dito ser, de forma errada, o estudante sênior diante toda a classe, quando na realidade deveria ser um responsável por um pequeno grupo de alunos dentro de um todo que é a classe.

Assim sendo, lembre-se que "SENPAI" não é um título, SENPAI/KOHAI é uma relação!


先生 SENSEI

Não há termo mais utilizado e, possivelmente, menos entendido do que o termo japonês SENSEI.

A sua utilização indiscriminada com infinitos significados no meio das Artes Marciais ensinadas no ocidente (...antes que alguém pergunte: no Japão os japoneses entendem o significado do termo SENSEI, por isso, a questão é posicionada neste contexto apenas) confere-lhe um estatuto místico-transcendente, elevando o seu "hospedeiro" a um patamar acima dos demais mortais... (Sem que, de fato, este termo mereça tal atenção.)

Mas antes de aventurarmo-nos pelos significados diversos que esta palavra tem erroneamente assumido, vamos compreender efetivamente o que significa este termo e sua real utilização.

Para começar, vamos entender o que significam as partes que compõem a palavra SENSEI.

Quando escrito em japonês, utilizando ideogramas, esta palavra é composta por duas ideias distintas:

先 - SEN (Saki) "antes, à frente, precedente, prévio,..."
生 - SEI (Umareru) "viver, nascer"

Conclui-se que SENSEI literalmente significa "Aquele que nasceu/viveu antes (de mim)" e, consequentemente, implica "ser mais velho".

Contudo, a condição de "ser mais velho" em determinada área de atividade pode ser atingida por meio de educação, conhecimento efetivo sobre determinada matéria, profissão e também por idade (no Japão é extremamente comum referirmo-nos às pessoas mais velhas - devido o respeito que temos por elas - pela designação SENSEI). Neste mesmo contexto, dentro da sociedade japonesa, certas pessoas com estatuto social definido (como médicos, advogados, professores, etc.) frequentemente são chamados de SENSEI... praticamente da mesma forma como são usadas  as expressões "doutor", "engenheiro" e assim por diante.

Isso leva-nos à questão da palavra SENSEI utilizada dentro das Artes Marciais praticadas nos dias de hoje.

Em primeiro lugar, e que isso fique bem claro, se tratando de ser ou não ser SENSEI, ter uma faixa preta, não faz de ninguém um SENSEI, e, por isso, é errado e completamente fora de contexto obrigar os alunos a tratarem os faixas pretas por esta denominação.

Vejamos um exemplo prático: uma pessoa, com uma certa idade, com família para sustentar e que é 2º ou 1º Kyû, ser obrigado a tratar um faixa preta, mais jovem que ele, pela denominação SENSEI é ir muito além do que este termo representa e é uma falha grosseira de etiqueta tradicional japonesa (onde os mais jovens devem respeitar aos mais velhos).

Assim, quem seria um SENSEI dentro das Artes Marciais ensinadas no ocidente?
A denominação SENSEI é, em grande parte, uma medida de comparação entre indivíduos que possuem uma arte em comum e, neste aspecto, define o respeito que ambas têm entre si. O grau de conhecimento da cultura japonesa determina a utilização do termo dentro do círculo restrito de conhecimentos "interno" (independentemente das faixas ou graduações que possuem).

Isto já não é válido para elementos de Artes Marciais diferentes, onde não se pode determinar com precisão o conhecimentos dos outros indivíduos ou sermos capazes de dizer definitivamente se este ou aquele "nasceu antes de (uma outra pessoa)". Assim sendo, o termo SENSEI não pode ser usado neste contexto sob pena de cair no erro de "subestimar" ou "super-estimar" o conhecimento real de determinado indivíduo que provém de fora do círculo de conhecimento interpessoal. (Sem entrar no mérito da questão do fato de um "faixa preta" ter se tornado sinônimo de intrutor...)

Contudo, uma vez que as Artes Marciais Japonesas são um guia de comportamento baseado nos ensinamentos de condutas marciais Japonesas, onde a humildade, simplicidade, retidão e o "não apego ao ego" são fatores determinantes, vêem-se a cada dia que passa um crescente número de indivíduos que se apresentam como "Sensei, XXX-Dan de YYY-Arte". Tal comportamento apenas demonstra a falta de conhecimento por parte destas pessoas no que diz respeito ao significado real desta palavra e vai diretamente contra os ensinamentos básicos de humildade e simplicidade ensinados em qualquer Arte Marcial Japonesa, pois o esforço deve ser feito na compreensão da Arte (seja ela qual for) e não no acúmulo de títulos - por pura vaidade.

Desta forma, um melhor entendimento do termo em questão, uma melhor compreensão de condutas culturais estabelecidas pela prática das Artes Marciais e uma maior reflexão sobre o verdadeiro significado da palavra "humildade" talvez mudassem este panorama caótico do uso da palavra SENSEI.


師範 SHIHAN

O ideograma para "Shihan" é composto por duas partes: Shi (師) que significa "professor", "mestre", ou "pessoa de caráter exemplar", e Han (範), que significa "bom exemplo". Assim, usado de modo tradicional, "Shihan" é um termo de tratamento dirigido a pessoas a quem se vê como um exemplo a ser seguido.

Atualmente tende-se a pensar que a função de um professor é comunicar informações a seus alunos, porém, o uso tradicional do termo "shihan" está ligado a um modelo mais antigo de instrução. Nesse modelo, as pessoas que querem aprender uma atividade ou arte ligam-se a um mestre, a que devem observar e imitar. Desse modo, recebem ensinamentos gerais sobre como conduzir suas vidas bem como ensinamentos mais específicos relacionados à técnica de sua arte. Há (diz-se às vezes) uma "transmissão de coração para coração" da arte do mestre ao aluno – uma transmissão que não pode ser realizada a menos que este esteja em contato direto com o mestre.

Empregado para significar "mestre", o termo "Shihan" é simplesmente uma forma respeitosa de tratamento. Em geral, seria endereçado apenas àqueles com grande conhecimento, habilidade, experiência, e habilidade para ensinar – e ainda somente se tivessem vivido vidas exemplares. Ainda assim seria um erro exigir uma definição precisa desse termo de tratamento, assim como seria um erro perguntar exatamente quantos anos um ceramista teria de exercer a prática antes de ele ou ela poder ser chamado de mestre ceramista.

心技体 SHINGITAI

Era muito comum nos Dojô [道場] antigos de Artes Marciais japonesas haver um quadro na parede onde se podiam ler três caracteres: Shin [心], Gi [技] e Tai [体]. Estes três caracteres representavam as antigas diretivas mestras, ou seja, as características mais importantes que todos os Budokas [武道家] (Artistas Marciais) deveriam esforçar-se em aperfeiçoar:

Shin [心] (Kokoro) - Espírito, alma, coração.  60%
Gi [技] (Waza) - Técnica(s). 30%
Tai [体] (Karada) - Condicionamento físico, manutenção física do corpo. 10%
O Shin-Gi-Tai aplica-se, assim, ao desenvolvimento do Budoka:  
  •  Shin = formação de caráter, domínio do corpo e da mente, filosofia.
  • Gi = técnicas, estratégia, formas de treino e conceitos.
  • Tai = conhecimento interior do corpo, preparação física.

DOJÔ E TATAMI

A maioria das Artes Marciais japonesas modernas é praticada em um Dojô.

O Dojô [道場], Do [道], que significa “caminho” e Jo [場], que significa “um lugar”, é o “lugar do caminho” ou “lugar da iluminação” – é a sala usada para o treinamento das Artes Marciais.

O Dojô (pronuncia-se DÔ-JÔ) é o local onde se treinam Artes Marciais nipônicas. Muito mais do que uma simples área, o Dojô deve ser respeitado como se fosse a casa dos praticantes. Por isso, é comum ver o praticante fazendo uma reverência antes de adentrar, tal como se faz nos lares japoneses.

"Se um homem não demonstra seu valor no Tatami, ninguém é capaz de percebê-la no campo de batalha."
Yamamoto Tsunetomo, Hagakure.

Dentre os maiores e mais tradicionais Dojôs modernos das Artes Marciais do Japão estão a Kodokan (講道館) criado em Tóquio, Japão, por Jigoro Kano, em 1.882, e o Dai Nippon Butoku Kai (DNBK; 大日本武德会), Grande Sociedade das Artes Marciais do Japão, criada em 1.895, em Kyoto, no Japão, sob a autoridade do Ministério da Educação. O objetivo deste último foi o de padronizar as Artes Marciais de todo o país. Esta foi a primeira organização oficial de Artes Marciais sancionada pelo governo do Japão.
Kodokan, entrada do Dojô, 1.882.


Butokukai,1.899.

A prática das Artes Marciais é realizada em um Tatami (畳), que significava originariamente “dobrado e empilhado”. O Tatami tradicional é feito de palha de arroz prensada revestida com esteira de junco e faixa preta lateral. É o piso das áreas secas de uma residência e serve de medida para os cômodos. No Japão, Tatamis eram originalmente um item de luxo quando a maioria das pessoas viviam em locais de chão batido.

O Tatami não tem a dureza do chão liso, por isso protege o Artista Marcial quando este cai durante; entretanto, ao mesmo tempo, não tem a maciez de um colchão - por isso, pode machucar o praticante que cair de mau jeito.

Os moradores da residência e seus visitantes devem tirar seus sapatos, por questões de respeito e higiene.

Cada Dojô tem suas peculiaridades sobre etiquetas e protocolos, mas alguns são fundamentais:

Ao adentrar e ao sair do Dojô e do Tatami, fazer reverência. Quando estiver entrando, a reverência representa seu sentimento de solicitação, de humildade. Quando estiver saindo, representa seu sentimento de gratidão.

Ao início e ao término da prática a dois, fazer uma reverência ao parceiro de treino.

Quando o Sensei estiver dando orientações, permanecer em Seiza (ajoelhado) e após o término, agradecer com uma reverência. Permanecer nessa posição denota humildade para receber os ensinamentos.

Não cruzar os braços ou arregassar as mangas dentro do Dojô. Estas atitudes são sinais de desavença.

Quando estiver no Tatami, não apoiar as costas nas paredes. Essa regra existe tanto pela questão disciplinar, quanto pelos aspectos marciais.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

KEIKOGI: ROUPA DE TREINO

Muitas pessoas já ouviram falar em Kimono [着物] e, de fato, é bem comum vermos as pessoas (inclusive alguns instrutores) referir-se ao uniforme das mais diversas Artes Marciais por tal termo que se popularizou. Contudo, não se usa Kimono [着物] nem no Judô, Jiu-Jitsu, nem em nenhuma Arte Marcial, seja ela de origem japonesa ou não.

  • Ki [] - Vestir, usar (roupa);
  • Mono [] - Coisa, objeto.

Kimono (着物) é uma vestimenta tradicional japonesa, usada por mulheres, homens e crianças. A palavra “Kimono” significa “coisa para usar” (Ki = “usar” e Mono = “coisa”). Portanto, é a roupa de uso diário no Japão, assim não é correto nomear a roupa de treino de qualquer Arte Marcial como Kimono.

É certo que os Samurais utilizavam uma vestimenta que lembra o Kimono por baixo  de suas armaduras chamadas de Ô-Yoroi (“Grande Armadura”, 大鎧). Tal roupa era formada pela Shitagi [下着], a parte de cima, que era amarrada com o Obi [], o cinto ou faixa, e a parte de baixo que compreendia a Hakama [], uma saia-calça, tradicionalmente usada por homens. Atualmente é usada por praticantes de algumas Artes Marciais como o Aikido e o Kendo.

Desta forma, é correto chamar o uniforme ou roupa de treino das Artes Marciais de origem japonesa de Keikogi (稽古着 ou 稽古衣Keikogui) que significa "uniforme de treinamento" (Keiko = treinamento, prática; Gi = roupa). Sendo um uniforme para prática de Artes Marciais, não consiste de Kimono, mas sim, de uma vestimenta específica para cada modalidade. A palavra "Keikogi" é erroneamente substituída somente por "Gi", essa substituição é errada por que "Gi" não apresenta o mesmo significado. Uma substituição correta seria "Dogi" que significa "o uniforme usado no caminho" da Arte Marcial de sua escolha pois se você colocar o nome da Arte Marcial no lugar de "Do", você obtém exatamente o significado de Dogi (Judô-Gi, Karatê-Gi).

  • Aikidogi (合気道着 ou 合気道衣, de Aikido) normalmente usa-se uma Hakamá.
  • Judogi (柔道着 ou , de Judô)
  • Jujutsugi (柔術着 ou 柔術衣, de Ju-Jutsu)
  • Jiujitsugi (柔術着 ou 柔術衣, de Brazilian Jiu-Jitsu)
  • Karategi (空手着 ou 空手衣, de Karatê)
  • Kendogi (剣道着 ou 剣道衣, de Kendô), normalmente usa-se uma Hakamá.

Assim, para as Artes Marciais específicas existem roupas específicas, ou seja, praticantes praticantes de Judô [柔道] usam Judogi [柔道衣], os de Brazilian Jiu-Jitsu usam Jiujitsugi [柔術着], etc... Gi [] - neste caso significa "roupa".

De uma forma geral e abrangente podemos chamar o uniforme de Keikogi [稽古衣] ou Dogi [道衣].
A expressão Keikogi [稽古衣] sendo:
  • Keiko [稽古] - Prática, treino;
  • Gi [] - Roupa.

A expressão Dôgi [道衣] ou Dôgi [動衣], dependendo do Kanji [漢字] utilizado, pode ser traduzido de duas maneiras diferentes:

  • Dôgi [道衣] - Roupa do caminho, da via;
  • Dôgi [動衣] - Roupa de movimento, roupa de treino.


O Keikogi ou Dogi divide-se, de uma forma geral, em três partes:

  • Uwagi [上着] - Parte de cima, casaco;
  • Shitabaki [下履] - Parte de baixo, calças;
  • Obi [] – Cinto, faixa.

Outras partes que compõe o uniforme para o treino são a Eri [襟] = gola, Naka-Eri = Meio da gola, Oku-Eri = Fundo da gola, Ushi-Eri = Atrás da gola, Sode [] = manga, Sodeguchi = abertura da manga, Shita = parte de baixo do Uwagi, Himô = Fio (Shitabaki); ainda há a Zori = Sandálias de palha e a Geta = Sandálias de madeira (deve-se usá-las ao sair do Dojô a fim de não entrar no Tatame com os pés sujos).

Sabe-se que a partir de 1.886, os Yûdansha [有段者] ("Aquele que tem nível e grau") começaram a usar "cintas" pretas com Kimono [着物], pois nesta época ainda não existia o Keikogi [稽古衣] ou Judogi [柔道衣]. Foi em 1.915 que o Keikogi ou Judogi branco tradicional foi introduzido por Jigoro Kano em seu Dojô; em seguida, o Keikogi passou a ser usado pelas outras Artes Marciais.

Keikogi branco, imaculado, representa a nossa mente que deve estar limpa, pura. O branco reflete todas as cores. Essa cor indica que o seu portador ainda possui a ingenuidade e deve procurar a purificação e transformação, diante do infinito. É a cor síntese do arco-íris, associada ao sagrado, pois simboliza paz, pureza, perfeição. Assim como uma tela em branco esperando para ser pintada.

Entre os samurais, o branco era um símbolo de pureza e morte. Os samurais utilizavam o branco sob a armadura para demonstrar que estavam dispostos a morrer no campo de batalha.

Em competições e demonstrações de algumas Artes Marciais, os lutadores podem usar uniformes diferentes, de cor azul, vermelho ou preto, apenas com a finalidade de se diferenciar mais facilmente os movimentos de quem aplica (Tori) e de quem recebe (Uke) a técnica; em alguns casos, utiliza-se uma faixa de cor diferenciada da dos competidores, quando ambos estão com um Keikogi de mesma cor.

Faixa corresponde ao nosso caráter (ela nos envolve de responsabilidade); o nó é o nosso respeito, nosso compromisso (por isto, nunca devemos desamarrar nossas faixas em frente aos mestres).


Amarrar a Obi (faixa) - Dobrar o Keikogi

terça-feira, 12 de abril de 2011

PRATICANDO NINJUTSU

É muito comum pessoas procurarem praticar Ninjutsu por causa de filmes de Ninja, desenhos, jogos, etc. Essas pessoas sempre chegam cheias de disposição, energia e vontade de aprender, mas grande parte acham que vão encontrar um caminho fácil ou que vão aprender a manusear espadas, bastões e shuriken logo no primeiro mês de treino, mas a verdade é bem diferente e tudo tem seu tempo certo para aprender.

Para aprender Ninjutsu, pode parecer complicado quando um praticante iniciante se depara com as diversas técnicas e movimentações do corpo que terão que aprender, principalmente quando ao observar a movimentação de seu instrutor e de seus colegas de treino mais graduados pode parecer fácil, mas ao tentar efetuá-las parece que o seu corpo não responde da forma que deseja. Para muitos isto pode parecer desanimador e muitos realmente desistem por causa disto, mas para aprender Ninjutsu deve-se primeiramente ter paciência, perseverança e força de vontade para superar esses obstáculos, e esta é apenas a primeira fase, se você superar e seguir em frente com seu treinamento, perceberá que seu corpo começará a se adaptar às formas de movimentações mais livres e  naturais e as dificuldades em aprender irão diminuindo com o passar do tempo, o que te permitirá absorver com mais facilidade as técnicas ensinadas. Passada essa fase de dificuldade, vem a segunda fase que é a de compreensão, se assim posso dizer, esta dura para sempre.

Já possuindo uma movimentação corporal naturalmente fluída, ao olhar e efetuar uma técnica, pode parecer fácil, mas a compreensão vai muito além, distância correta, movimentação correta para que funcione com eficiência, o efeito que causa no corpo e na mente do adversário, compreender que a aplicação dentro do Dojô é diferente da forma real, saber o momento certo de aplicar, saber adaptar nas diversas situações e muito mais. Como você pode ver, uma simples técnica não é tão simples como pode parecer.

Na prática do Ninjutsu nós "estudamos" as técnicas como uma ciência, afinal é disso que se trata as Artes Marciais, diferente da ciência estudada nas Artes Marciais de competição, onde o estudo de maior ênfase é o de acertar golpes visando pontuação. No Ninjutsu visamos estudar técnicas para podermos salvar nossas vidas e a de entes queridos perante reais situações de perigo.
As técnicas não englobam somente o lado físico, estudamos também a parte psicológica e estratégica das técnicas, toda técnica envolve um lado psicológico, anatômico e estratégigo para que ela funcione, por isso não é necessário a utilização de força bruta para aplicar.

Aqui vai a minha dica para um bom aprendizado:
  • Não limite o seu treinamento somente dentro do Dojô, pratique fora também com seus colegas, pense nas técnicas aprendidas e sonhe com elas sempre que puder, pois se limitar-se somente ao Dojô fará com que nos dias que não tiver aula você esqueça grande parte do que aprendeu, fazendo toda aula parecer como se fosse a primeira, o que tornará sua progressão bem mais lenta.
  • Leia algo sobre a Arte pelo menos uma vez por semana.
  • Movimente-se no seu dia-a-dia tecnicamente, estrategicamente.
  • Abra a sua mente para compreender coisas novas e busque compreender o porquê de tal coisa, o que pode parecer incompreensível um dia você compreenderá.
  • Se tiver alguma dúvida, pergunte ao seu instrutor.
  • Não tenha pressa de aprender, desfrute um dia de treinamento de cada vez, o tempo passa rápido e quando você menos esperar saberá além do que imaginou no início.
  • E o mais importante, mantenha o "Nin" em seu coração, não deixe de lado o seu treinamento por causa de problemas pessoais, busque resolver os problemas sem abrir mão do que te trás benefícios, afinal "Nin" significa superar, suportar, aguentar, resistir, paciência, perseverança. O caractere "Nin" 忍 representa a lâmina perfurando o coração.

Compartilho com vocês tudo isso, com base em minha experiência em todos esses anos de treino em minha vida.

Galleni Junior - Bujinkan Shidoshi-Ho
12/05/2011

segunda-feira, 11 de abril de 2011

ALGUMAS INFORMAÇÕES IMPORTANTES SOBRE O NINJUTSU

A imersão no conhecimento Ninja (Ninjutsu) não visa produzir atletas ou frutos de competitividade e disputas, como honrarias, pois sabemos que se trata de uma lâmina de dois gumes onde o Ego poderá sofrer deformações, sendo passivo o desenvolvimento da violência em seus mais diferentes caminhos; mundialmente conhecido por sua história, disciplina, excelência em maestria técnica, e praticado em mais de 127 países. Diferentemente de outras modalidades, para praticar Ninjutsu o aluno precisa antes passar por uma entrevista realizada pelo instrutor responsável e seu desenvolvimento (dentro e fora do local de ensino) é acompanhado realmente pelo instrutor.

O Ninjutsu treina o corpo a atender a mente e ensina a mente a ouvir o espírito, resultando em maior qualidade de vida para quem pratica.

O Ninjutsu não tem nada a ver com o instinto assassino exibido em filmes. Muito pelo contrário. O guerreiro Ninja antes de tudo prezava sempre a vida.
Não existe Arte Ninja vietnamita, tailandesa, coreana ou chinesa. Haviam sim, pequenos grupos com padrões que imitavam as ações Ninjas, mas que em nada exercem sua essência, cultura, tradição e técnicas Ninja.

A técnica, ou a arte, consiste no equilíbrio do homem com a natureza, e no aperfeiçoamento do ser humano, superando a si mesmo e disciplinando todo o seu ser, na busca de uma melhor compreensão de si. Não existe competição, pois seu objetivo é sobreviver. Uma das primeiras lições que os alunos aprendem é: Não reagir nunca por algo material. Apenas se sua vida ou a vida de alguém estiver em risco, você deve usar a Arte Marcial.
Enquanto a grande maioria das Artes Marciais denominadas como Budô (caminho da guerra) seguem o famoso código de ética Samurai conhecido como Bushidô (caminho do guerreiro) que em seu item principal lhe faz jurar de morte, ou seja, sua vida não lhe pertence, no código Ninja lhe jura a família, ao país e ao seu povo. O Ninjutsu busca, na verdade, uma liberdade total, ou seja, manter a mente e o corpo abertos.

O Ninjutsu é uma Arte Marcial que não tem forma, porque você não sabe o que vai acontecer numa situação de perigo. O praticante tem que reeducar o corpo e organizá-lo, para conquistar a liberdade de movimentos. Os praticantes aprendem a ver qualquer situação como algo que se pode resolver. Dessa forma, conquistam a autoconfiança e tornam-se pessoas melhores; trabalhando o conceito de visualização, mapeando antecipadamente seus objetivos.

Ao participar das aulas, os alunos também têm uma melhora na postura, respiração, coordenação motora e equilíbrio. Pessoas que sofrem de ansiedade, estresse e depressão, também encontrarão ajuda praticando Ninjutsu. O indivíduo começa a se sociabilizar (através de ferramentas desenvolvidas unicamente para o projeto), a ser mais forte e a encarar os medos, pois adquire confiança. Ela aprende a lidar com a força e com a dor, que fazem parte do nosso dia-a-dia. Nas técnicas em sala de aula (Dojô), além dos golpes os alunos aprendem também a utilizar algumas armas como bastões, espadas e correntes (a partir do 12 anos ou de acordo com a graduação e acompanhamento do aluno).

Trabalhamos a técnica, a utilização das armas e a parte didática que se caracterizam pela naturalidade das técnicas, liberdade de movimento e conceitos filosóficos, sem campeonatos, competições ou disputas. O Ninjutsu é para aqueles que querem desafios ao extremo, aprendendo a superá-los, o objetivo principal é o desenvolvimento do ser humano.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O QUE É NINPÔ

Ninpô é um grupo de tradições marciais relacionadas, que foram desenvolvidas no Japão desde o período antigo (anterior ao século XII), e que foram combinadas no período moderno, sob um amplo sistema marcial. Este sistema inclui as 18 áreas de habilidade marcial (Bugei Juhappan) para o Bushi comum (guerreiro) e um outro grupo de 18 tipos não-convencionais de habilidades marciais (Ninja Juhakkei) para operações especiais de guerra. Outro componente do Ninpô, em adição a essas 36 áreas de estudo marcial, é a visão de mundo, pensamento e filosofia e práticas exotéricas únicas. Esta visão de mundo dá ênfase à natureza defensiva do Ninpô e à necessidade de se ter compaixão no coração.
O termo "Ninpô" é formado por dois caracteres. O primeiro, "Nin", literalmente significa paciência, perseverança e furtividade. Ele próprio é composto por outros dois caracteres, tendo uma lâmina sobre o coração/mente. Existem vários significados simbólicos para isso. Um é que a lâmina força o coração/mente a permanecer furtivo de modo a perseverar. Um outro significado é que o coração/mente deve ser tão afiado e puro quando a espada.

O segundo caractere, "Po" (ou "Ho"), é filosoficamente mais complicado, por isso mais difícil de compreender, e tem uma forte conotação budista. No japonês moderno, este caractere é usado para a palavra "Lei" (como em sistema legal), mas no termo "Ninpô", leva o significado budista de Lei Universal. Em sânscrito, a palavra Dharma tem um significado profundo e complexo, mas essencialmente significa "fatores da existência" em um nível, "realidade definitiva" em outro nível e "pensamento e doutrinas budistas" em um outro nível.

O resultado de combiná-lo com o primeiro caractere "Nin" produz o termo "Ninpô", que pode ser entendido como a "definitiva e eterna realidade da perseverança e furtividade". Entretanto, não se deve rigidamente definir ou interpretar o Ninpô de um determinado modo, e sim entender a sua profundidade e de seus vários significados.


BUSHIDÔ E NINPÔ

Bushidô é um termo largamente utilizado, porém pouco entendido, que é geralmente traduzido como o "Código dos Samurais". Ele se relaciona com o nosso estudo do Ninpô e deve ser compreendido. Você pode tê-lo ouvido nos populares filmes de Artes Marciais, ou o lido em revistas. Um outro meio mais correto de traduzi-lo é o "Caminho do Guerreiro". Muitas pessoas tem algum vago senso do que isso supostamente significou para os guerreiros japoneses. Um senso de honra, servindo ao senhor de todas as formas até o fim; honestidade e lealdade, etc. Embora essas interpretações soem muito boas, não são bastante acuradas. Este tipo de opinião vem do ponto-de-vista Ocidental (mesmo embora ele possa ser o de alguns japoneses!). As pessoas dizem isso porque dá uma aparência quase sagrada ao guerreiro, tanto Samurai quanto Ninja, e elas querem se identificar com esse tipo de guerreiro "idealizado".

As pessoas que lhe levariam a acreditar nisso não estudaram o Budô real, ou Artes da Guerra. É muito difícil, quase impossível, entender a verdadeira sensação do modo de vida do guerreiro a partir de Artes Marciais de competição. De fato, poucos homens podem rapidamente responder a questão "Qual é o Caminho?". Estudando uma Arte como o Ninjutsu, é possível enxergar mais profundamente dentro desses tipos de filosofia. O Caminho, simplesmente afirmado, é a morte. Nada mais. Isso significa que, se existe uma escolha a ser feita entre viver e morrer, o guerreiro escolhe a morte. Isso foi muito bem escrito no Hagakure, a Bíblia do Guerreiro, do século XVII.

Está escrito que o guerreiro deve manter a morte na sua mente sempre, desde o momento em que acorda até o momento de dormir. Esses códigos estritos também incluem severos preceitos tais como "Não tenha nenhuma preferência em nada", "Não deseje uma casa e família" e "Não goste de nada". Entretanto, o Ninja não necessariamente adotava essa visão rígida. Nós dizemos "Mantenha a morte na sua mente" basicamente de uma maneira mais pragmática: não existe tal coisa como surpresa para o Ninja.

Hatsumi Sensei, de fato, disse que não era tolerado ao Ninja permitir que ele fosse morto. Suas missões para conseguir informações eram tão vitais, que lhes era exigido fazer absolutamente o que fosse necessário para retornar com elas. Uma forma de olhar para esse modo de pensar a partir de uma perspectiva moderna é que, se você se permite ser morto, você não será então capaz de proteger sua família, provê-la ou criar seus filhos. Então, agora, nós vemos uma visão maior do Ninjutsu: treinar para permanecer vivo.

Mas então de novo... não esqueça o Caminho do Guerreiro. Se você deve arriscar sua vida para salvar sua família, então eu espero que você não hesite.

terça-feira, 5 de abril de 2011

MENOS É MAIS - MAIS É MENOS

Menos é mais. Às vezes, essa frase misteriosa é a chave para entender o Taijutsu e o Ninpô. Mais é menos. Esse conceito deve ser compreendido. A arte da Bujinkan está longe de ser óbvia. E essa é a intenção. Esta é a maneira como ela foi passada através das eras. Um método de sobrevivência é manter escondida e separada. No Ninpô, isso requer que aqueles que o estudam, superem os primeiros poucos portões para chegar ao entendimento. Esse é motivo que Hatsumi Sôke diz que não importa se alguém roubar os Denshô que contém a informação do Ryû. Nas palavras dele: ele é o único capaz de lê-los. Os secretos do Ninpô não desistem tão facilmente. Nos antigos tempos de guerra, aqueles que não entendessem simplesmente morriam. Aqueles que entendessem, sobreviveriam. Aqueles com pouco comprometimento com a arte, não enxergarão abaixo da superfície, e não enxergarão os segredos, que esta arte tem mantido por milhares de anos.

Menos é mais. Se você tem problemas executando uma técnica, a primeira coisa que você deveria fazer é tentar novamente, mas faça da maneira oposta que a maioria das pessoas fazem. Desta vez, tente com menos força, menos movimento, menos velocidade e tensão. Essas coisas são barreiras e, uma vez que você as remove, você pode alcançar o verdadeiro poder. Deste modo, você pode encontrar o sucesso. Uma outra coisa que é difícil de entender sobre Taijutsu é que é difícil, no início, dizer quando você está fazendo corretamente. Quando você o executa corretamente, parece ser muito fácil, e você pensa que precisa fazer mais coisas. Mas mais é menos. Se vê muitos estudantes finalmente executando uma técnica corretamente após 15 minutos tentando, e eles olham para o professor, com uma expressão perplexa, e dizem: "É isso? Mas o professor dificilmente faz alguma coisa agora!" Esta Arte Marcial é feita com facilidade, com força natural através do movimento. Uma vez que você supera os primeiros poucos portões do entendimento, ela faz perfeito sentido.

Todos entram nesta arte, e em outras disciplinas (como outras forma de Budô, Yoga, Zen, religiões, etc.), para melhorar a si próprios, para tornarem-se mais do que eles eram antes. Mesmo assim, mais é menos. Imagine desta forma: você é um bloco de mármore, que você trabalha duro, aparando-o para revelar a obra de arte que está por dentro. Você fica exausto lapidando, descartando o que não é necessário, deixando apenas o que você precisa. No chão, você vê os pedaços do que uma vez foi parte de você: ego, egoísmo, grosseria, infantilidade, orgulho. Não é fácil. Durante seu processo de moldar a si mesmo, você pode não gostar do que vê. Apenas continue e siga em frente. Desta forma, quando você se torna menos do que era antes, você, na verdade, se torna mais. Dentro deste paradoxo está a chave. Esta lapidação é um longo e difícil processo, e só é alcançado através de rigoroso treinamento. Sentar e pensar a respeito não é o nosso jeito. Você escolheu o Ninpô como seu modo de desenvolvimento pessoal e é importante dar-lhe todo seu esforço. A recompensa é valiosa.

A vida moderna está cheia de desordem. Existem muitas coisas chamando sua atenção. A maioria delas são distrações inúteis. É o nosso objetivo moderno preencher nossas vidas com tudo o que possamos. Mesmo assim, poucas pessoas são felizes nestes dias. Não seja enganado, pensando que você precisa ter muitas posses para se sentir preenchido. Tente ver o que é importante para você e remova o que não é necessário. Eu acho que você descobrirá que simplicidade é felicidade.

HIDEN NO TOGAKURE RYÛ NINPÔ

Por Masaaki Hatsumi, 34º Sôke da Togakure Ryû

Existem muitas compreensões errôneas referentes aos Ninjas. Alguns Ninjas foram originalmente "Samurais fracassados"; eles começaram com uma má reputação. Os Verdadeiros Ninjas têm emoções muito profundas e decentes. Amor e paz são muito importantes para eles. Eles devem, entretanto, aprender a ser muito pacientes com seus corpos e emoções. Eles também treinam seus subconscientes (inteligência natural). Eles não estão preocupados em se poupar. Eles se esforçam para vencer no final. As emoções do Ninja são como uma flor. Os Ninjas apreciam a paz da natureza e têm uma natureza pacífica da mesma forma. Eles usam movimentos naturais para desaparecer quando atacados com uma espada. Eles lutam para proteger a comunidade e o país. É ruim que as pessoas escrevam sobre os Ninjas sem realmente saberem qualquer coisa sobre eles.
 
Os Ninjas possuem muitas técnicas, mas seu segredo é o Kyojitsu Ten Kan Ho (a arte da mudança). A sociedade de hoje é muito louca. Não existe uma filosofia boa. O coração é o elemento mais importante da minha filosofia. Ele suportará o guerreiro através desde tempo confuso.

A Filosofia do Budô:
Em geral, é utilizado para proteger o país, a sua comunidade e seu próprio corpo. O modo como o praticante encara e usa essa filosofia é muito importante. As pessoas dizem que o modo que você corta com a espada é importante, mas bons olhos, músculos e ossos fortes não são o "caminho". Uma técnica grosseira é mais parecida com corte de lenha do que com esgrima. A esgrima contra um oponente envolve um "caminho" totalmente diferente. Você precisa aprender diferentes técnicas também, mas o "caminho" é a parte importante que o Sensei salienta.

Jutsu significa técnica, mas também significa coração. Jutsu deve vir do coração. Por isso, seu coração deve ser sincero e honesto. Se seu coração não é limpo e sincero, seu Jutsu estará faltando e você não progredirá nas Artes Marciais. A ânsia pela vitória não lhe dará a vitória. Você deve receber a vitória do seu oponente. Ele não tem escolha, exceto dá-la a você, porque ele sentirá seu coração como melhor ou mais verdadeiro. A natureza é sua amiga; ela lhe ajuda a vencer. Seu inimigo terá um movimento não-natural, por isso você será capaz de saber o que ele irá fazer antes que ele faça.

Eu me refiro à maestria como um "sentimento" no indivíduo. O certificado, mesmo o de 10º Dan, não é uma prova. O praticante deve ser honesto e pensar nisso muito profundamente. Não existe prova, entretanto, se você procurar por ela. Quando você não precisar procurar, esta é a prova. Quando o praticante desenvolve o Shin Ki To Ichi (o coração, universo e arma como um), isto é maestria. Esta é a prova, esta habilidade sempre permite ao Budoka vencer, sua técnica sempre vence.

O Ninpô protege a todos vocês, seu corpo e espírito. Outras filosofias do Budô não têm isso. No Budô e em outras filosofias, se seu espírito não é sincero, você pode se matar! Por exemplo, a medicina deve proteger a saúde da pessoa, mas usada de maneira imprópria, as mesmas técnicas matarão. Da mesma forma com alimentação e bebidas; hábitos impróprios destruirão o corpo. O mesmo com a liderança de um país. Líderes devem proteger o povo; um mau líder (cuja filosofia seja pobre, ganancioso e egoísta) pode destruir um país. A religião pode ser boa para a sociedade, mas a ganância e o fanatismo podem destruir.

Aqui está uma frase de uma carta de Takamatsu para mim:
"O Universo lhe dá uma missão e o guia - ninguém pode parar você - você terá enorme força, perderá todo o medo, se tornará "um" com todo o mundo natural e terá total liberdade nos seus movimentos. Sua mente será sincera e honesta. Se você é verdadeiramente sincero e honesto, você pode obter essa força. Senso comum, justiça e nenhuma surpresa: este é o Togakure Ryû Ninpô."

Como aprender os Gokui (segredos) para se tornar um Meijin (mestre)? Todos querem ter os Makimono (pergaminhos de herança dos Ryû, que são de posse do Grande Mestre). Apenas estudando longa e duramente, você pode se tornar forte o bastante para ter os Makimono. Uma vez que você os tenha, você pode achar que é difícil se mover por vários anos, porque os Makimono são muito pesados. Você começa a entender o compromisso que o uso dos Gokui acarreta. Os Makimono se tornam um peso físico. Aqui estão algumas pistas dos Gokui (segredos). Isso tem a ver com o retorno de Takamatsu Sensei da China ao Japão. Na China, ele era conhecido como Mo-Ko, "o Tigre Mongol". Mas no Japão, seus amigos lhe chamavam de "Gatinho de Yamamoto". Eles lhe perguntaram por que ele agia como um gatinho e não como um tigre. Takamatsu disse que ele precisava agir como um tigre na China para sobreviver. Agora, ele precisava agir como um gatinho, de forma que as mulheres gostassem dele e quisessem mimá-lo. O segredo é flexibilidade e adequação. Quando você precisar ser um tigre, você pode ser e é um. Quando é melhor ser um gato, você pode ser e é.

Uma vez, eu fui questionado por um amigo: "Por que você não combate um touro como Mas Oyama? Você é um mestre Ninja muito forte." Eu sorri e disse que mesmo embora um touro tenha mais músculos, até um fazendeiro pode dominá-lo através da argola em seu nariz. O Gokui (os segredos das Artes Marciais) está no coração da pessoa e em seu comprometimento pessoal. Esteja pronto para pensar a todo momento. Se você quer a iluminação, pratique a todo momento como responder questões desse tipo, como aquela sobre o touro. Isso significa que todos têm a capacidade de aprender o Gokui no Ninpô. Pratique todos os dias, todos os momentos. Prepare seu coração, o faça puro do modo que o Universo é puro - energia natural. Então, suas técnicas também serão puras e de coração. Você pode aprender de qualquer um, se você estiver certo sobre si mesmo. Se você for forte, você pode ter bons amigos e maus amigos, e pode aprender de todos. Eu tenho todos os tipos de amigos porque eu não tenho compulsão em julgá-los. Eu não sou suscetível a más influências, nem super-influenciado por "boas" influências. Para manter seu foco, você deve ter um propósito - não perca seu tempo. Aprenda a partir de tudo.

As pessoas gostam de praticar Budô em um Dojô com seus amigos. É muito importante ir sozinho até a natureza e trabalhar contra árvores, rochas, com animais. Estude o movimentos do animal e "lute" com a natureza. É importante ter um mestre, mas se ele não é bom, ele pode ser melhor do que nenhum. Olhe para a natureza.

Se você, como um professor, tem um estudante que não responde ao ensinamento, não ensine-o. Deixe seu treinamento com ele próprio. Se ele gostar de Ninpô, ele aprenderá sozinho, observando; se não, ele irá embora. Não fale muito: demonstre. Eu tenho muitas técnicas de alto nível que eu nunca ensino. Se os estudantes não estão avançados o bastante, o treinamento pode ser prejudicial.

Você deve amar antes que possa criar. Se você amar o Ninpô, você pode aprender com ou sem professor. Lute para encontrar a raiz da vitória. Pratique você mesmo, sozinho se necessário, toda a sua vida. Não seja indeciso. Use seu cérebro. Você pode aprender muitas coisas. Aprenda todas elas ao invés de perder tempo vacilando entre o que você pensa que é importante aprender. Nunca desista, mesmo se você estiver doente. Eu pensei sobre Budô 3 vezes mais do que qualquer um que eu conheça, treinei 3 vezes mais do que qualquer um, e gastei 3 vezes mais dinheiro na minha busca. Eu me tornei forte o bastante para descobrir que eu era fraco. Eu fiquei bastante confuso, mas não desisti. Eu tentei simplesmente parar de me preocupar e treinar. Mas eu adoeci de qualquer maneira. Eu pensei que iria morrer em determinado momento. Eu fiquei de cama por 5 anos. Eu pensei que se eu morresse, então eu poderia encontrar paz. Depois de 5 anos, eu compreendi isso, não importa se você está vivo, morto, doente ou saudável, velho ou cheio de vitalidade, você deve praticar, honestamente, de acordo com sua situação. Agora eu não me preocupo mais!

Use a técnica natural; força natural. Quando você olhar para a técnica de alguém e se sentir inadequado, você está provavelmente aberto ao desenvolvimento - a menos que esse sentimento persista por mais de 10 anos, então desista. Use sua prática para obter percepção em outras coisas. Técnicas são baseadas em filosofia. Os fundamentos de ambas devem ser fortes. Pratique a base. Não preocupe-se com a flor, preocupe-se com as raízes. Algum dia, você florescerá como uma linda flor, de qualquer forma. Os sonhos podem ajudá-lo a desenvolver suas técnicas. Sonhe com as técnicas. Pratique também, de novo, de novo, de novo...

Você tem que ter um propósito.
Por que você está estudando?
A maioria dos grandes artistas marciais têm esses propósitos:
Auto-desenvolvimento. Eles nunca desistem. Eles praticam durante toda a vida para melhorar.

Eles compreenderam que é o seu próprio auto-desenvolvimento que é a coisa positiva, que se espalha pelos outros. Bom para eles próprios e bom para aqueles que entram em contato com eles.

É importante saber quão pouco você sabe. Quando aprender Ninpô, mantenha o fogo no seu coração. Sua técnica, então, será forjada nesse fogo, como uma espada Samurai. Fogo e justiça são as chaves. Se você quiser mudar seu corpo e sua vida, treine com fogo e viva uma vida justa. O número de técnicas que você sabe não é tão importante quanto a sua atitude. Você precisa de um propósito e bons olhos para aquelas coisas na vida, que ajudam o seu propósito. Takamatsu Sensei esteve em muitas batalhas reais e nunca perdeu porque sua mente estava repleta destas coisas importantes.

Como se tornar um estudante:
Primeiro de tudo, você precisa de um bom professor. Se você tem um charlatão como "Mestre", então você está perdendo seu tempo. Geralmente, um grande professor irá através de muitos estudantes procurando aqueles que tenham um grande senso das Artes Marciais. Antigamente, estudantes tinham regras - por exemplo, eles tinham que cortar madeira, limpar a casa, etc., por muitos anos. O mestre então julgava sua força, paciência, perseverança e atitude. Se o mestre decidia que você era bom, ele lhe convidaria para o Dojô. Lá o treinamento seria muito duro. Alguns estudantes não tolerariam-no. Eles pensariam que o mestre era cruel. Os que pudessem fazê-lo, eram os que tinham visto a grandeza do mestre.

O propósito da busca de cada pessoa pode variar:
Força física, força mental, desejo animal de vencer, ou pode ser uma busca emocional. Pratique religião se você quer tornar sua mente/espírito fortes, não Artes Marciais. Artes Marciais podem matar. Entretanto, para fazer seu corpo forte o bastante para apenas matar ou ganhar honrarias, levante pesos, coma verduras e caminhe para se tornar forte. Não se incomode com Artes Marciais. Apenas 1 em 1000 continuará a procurar a verdadeira prática do Ninpô. Ele é perseverante com uma mente de um único caminho, confinada na estupidez. Aluno e mestre devem respeitar um ao outro. Takamatsu Sensei sempre me chamava de "Sensei". Mas mestre é mestre, aluno é aluno, sempre. Eu aprendi de Takamatsu Sensei as lições mais importantes na vida. Dos 3 grandes relacionamentos - pai/filho, marido/mulher, mestre/aluno, a terceira é a mais importante na vida.

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