sábado, 14 de junho de 2014

実戦型 JISSEN GATA (Forma de Combate Real)

実戦型 Jissen Gata = Forma de Combate Real
実 Ji / Jitsu = Real, verdadeiro
戦 Sen = Combate
型 Gata = Forma, Maneira

Os combates reais são sujos. No combate não importa se o oponente é grande ou pequeno, forte ou fraco. Se trata de saber vencer o seu oponente a todo custo e ter coragem para tudo. A primeira coisa que tem que fazer é manter a distância e avaliar o seu oponente, controlar seu jogo de pernas para ter uma ideia da situação antes de atuar.

Todas as Artes Marciais e esportes de contato como o Boxe ou Karatê têm suas próprias formas de mover-se. Você deve ter olhos não somente para a Arte da Bujinkan, você deve ter olhos para outras Artes Marciais, caso contrário, realmente não conseguirá ser efetivo. Sempre observe cuidadosamente o seu oponente. É necessário utilizar os primeiros segundos de cada situação para avaliar o comprimento de sua lâmina, braços, etc. Nunca mostre ao seu oponente o comprimento de sua arma. Guarde-o, assim como o ângulo em que aponta, para que seu oponente não possa conhecer o seu verdadeiro comprimento. Você não está lutando contra um oponente, está lutando contra o desconhecido. Se fizer algo que salva sua vida, então seu Taijutsu é bom.

Em um combate de verdade não se preocupe com o que é bonito ou estético. Se não utilizar a enganação (虚実 Kyojitsu), suas possibilidades de sobreviver serão somente 1 em cada 48.
Nagato Sensei disse: “Somente quando o seu Taijutsu se tornar instintivo, ele será útil para poder sobreviver”.
Tem que estar preparado para isso. Você pode passar para o 真剣形 Shinken Gata (Forma da Espada Real / Forma Séria) a qualquer momento. Em um minuto está rindo e falando animadamente e no minuto seguinte está sendo atacado. Para isso tem que se preparar e treinar corretamente. Isso não tem nada a ver com ser grande ou pequeno, forte ou fraco. É a vida, você tem que vivê-la!

Muitas pessoas sentem que tem que vencer por nocaute. Isto é o que acontece por olhar ou pensar com a mentalidade de outros esportes.
Por quê não cortar e, em seguida, dar um passo para atrás para ver como ele sangra até morrer?

Isto é o que distingue o Budō de mero esporte. Não hesite, nem perda seu tempo, em um confronto real, se o fizer, está morto. Em um combate de verdade, deve ter coragem (Dokyo), se não tiver, suas pernas tremerão enquanto pensa no que deve fazer, aí é quando a morte te surpreende, mas se tiver coragem, a resposta virá até você em um instante e sobreviverá.

Você não quer somente matar seu oponente fisicamente, quer matar seu espírito também.
Precisa demonstrar isso: “Posso te matar aqui… ou aqui… ou aqui também”.
Consequentemente sei que posso te matar. Sempre que falo de “matar”, não estou falando de assassinato, estou falando de “matar o espírito” e alcançar a derrota dos inimigos. Precisa ser capaz de sentir sem olhar o seu inimigo… Tem que estar preparado para agir contra eles em qualquer momento, mesmo se não estiver buscando… Isto não se trata de um contra um. Esconda suas intenções e sua personalidade. É como lidar com um animal selvagem, se tentar agarrá-lo, ele irá fugir, esta é a reação natural. Então, quando puder, não se meta em uma luta com a intenção de cortar desta ou daquela maneira ou fazer esta ou aquela técnica. Tem que ser capaz de criar oportunidades. Mantenha-se em movimento, se deixar de fazer isto, estará dando suas aberturas (oportunidades) ao oponente e ele poderá te matar. Se você está de pé, o que você está fazendo é só uma técnica, não Taijutsu, o Taijutsu é muito mais. Seus recursos devem ser colocados em prática para que seus punhos fiquem vivos. Mesmo que você não possa “deixar o movimento viver” e seguir fluindo, se mova para algo mais, isso é Kyojitsu (Falsa Verdade). Se não puder fazer isto, certamente morrerá quando se encontrar em uma situação assim.

Se estamos falando de algo real, é importante reconhecer que os socos e chutes falham, é natural que possam falhar. Se está disparando uma pistola em um combate com fogo real, por exemplo, as possibilidades de obter êxito são pequenas. Somente quando se compreende que o fracasso é natural e tiver a coragem de seguir fluindo, então está bem, você vai se concentrar. Isto é o que separa o verdadeiro Budō dos esportes Marciais, pois você não está tentando marcar pontos para ganhar, você está tentando se manter com vida, esta é a grande diferença entre o Budō e o esporte Marcial.

Em uma situação real, as circunstâncias e os cenários serão diferentes, tudo vai ser diferente. Deve ser capaz de responder a estas mudanças. Somente então você vai entender. Nunca se conforme e esteja simplesmente satisfeito só com o que te foi ensinado, se o fizer, seguramente morrerá em um combate verdadeiro. Tudo é muito rápido. Não importa se golpeou aqui ou não, deve continuar com o movimento seguinte. Não tente memorizar as técnicas ou se lembrar delas, muito pelo contrário, desta forma suas Artes Marciais virão à tona em uma situação real e sobreviverá.

Em combate real você não tem tempo para lembrar as técnicas, pois seu tempo de reação seria muito lento. Treine de modo que não interfiram em suas reações. Em combate real o mais importante é o movimento natural. Nós devemos nos afastar do conceito que tem em muitas Artes Marciais hoje em dia, que enfatizam o treinamento para vencer um único oponente, isto é uma verdadeira vergonha. Ao fluir, aprende a usar o que foi treinado e será capaz de lidar com múltiplos oponentes. Geralmente se acredita que quando se enfrenta vários inimigos, se encontrará em desvantagem, mas há momentos em que pode ser uma vantagem maior. Tudo o que você precisa é mudar e criar uma situação para sobreviver. Se tem um monte de comida e você comê-la toda, o que ocorrerá é que vai ficar doente rapidamente. Da mesma forma, se tem muitos agressores, tome seu tempo. Se você for muito rápido, você vai deixar muitas aberturas que te expõem perigosamente. Às vezes, quantos mais inimigos tiver, mais fácil é se defender. Não olhe as armas! Não olhe o seu inimigo! Olhe ao seu arredor. Nunca se sabe quantos inimigos podem estar ao seu arredor. Há ocasiões que são para matar e outras para não matar. Por favor, tenha isto sempre presente e considere muito sério sempre as consequências de suas ações. Matar é inerente à todos os seres humanos. Afinal, somos apenas animais, mas aprendemos a encurralar e controlar ou conter estas tendências. Em uma situação de vida ou morte, no entanto, deve estar preparado para assumir, por vezes, a ideia de matar ou morrer. Se você teve má sorte ou não reconhecer a hora de avaliar corretamente a situação em um combate de verdade, pode morrer.

É muito importante recordar que as pessoas vivem situações em que elas podem chegar a morrer. Por favor, lembre-se disto quando treinar.

Por Masaaki Hatsumi
Traduzido por Galleni Junior

domingo, 18 de maio de 2014

護身術 GOSHIN JUTSU (Arte de Proteger o Corpo)

No vasto Universo das Artes Marciais, as Artes Marciais que focam a Defesa Pessoal e em combate de guerra são uma das poucas Artes que não são voltadas para competição. Não existem campeonatos ou eventos, pois seu objetivo é permitir ao praticante a segurança e a preservação da sua vida em uma situação de risco.

No Japão, a Defesa Pessoal é conhecida popularmente como Goshin Jutsu:

GO = Proteger
SHIN = Corpo
JUTSU = Arte

Portanto, Goshin Jutsu significa "Arte de Proteger o Corpo".

As Artes Marciais japonesas possuem sua parte de Goshin Jutsu, naturalmente por serem lutas, mas com estilos diferentes e particulares. Encontramos o Goshin Jutsu no Ninjutsu, no Jūdō (Kodokan Goshin Jutsu), no Aikidō, no Karatê e em algumas outras Artes Marciais.

Nestas Artes, aprende-se a desarmar um agressor, evitar e controlar ameaças usando objetos e o ambiente como arma, aliado ao raciocínio rápido.

Geralmente são técnicas básicas de fácil aprendizado, sendo que uma única técnica pode ser aplicada contra um ataque desarmado ou armado.

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Galleni Junior

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

REGRAS DE ETIQUETA E COMPORTAMENTO NO TATAMI



Quando você entra no Tatami, entra em um mundo diferente, em um mundo de guerreiros. Pode ser um lugar de respeito e amistosa camaradagem ou um covil de paranoia e desconfiança. No Tatami atacamos e somos atacados, aprimorando a nossa capacidade de responder intuitivamente. As regras e os comportamentos de etiqueta nos permite praticar Ninjutsu com segurança, além de disciplinar e redirecionar as reações agressivas desenvolvendo os sentimentos de compaixão e respeito dentro e fora do Dōjō.

  1. Este Dōjō segue as regras tradicionais de boa conduta. Cabe a cada estudante honra-las e segui-las com sinceridade.
  2. Respeite seu Mestre, respeite o professor, respeite o Tatami, respeite seu Keikogi, respeite as outras Artes Marciais e respeite os colegas de treino.
  3. Respeitar, Respeitar e Respeitar, é um pensamento constante dentro do Dōjō.
  4. Cada aluno deve cooperar para criar uma atmosfera positiva de harmonia e respeito.
  5. É prerrogativa do professor decidir se irá ou não tomar você como aluno. A técnica não se compra.
  6. Mesmo estando fora do Tatami, mantenha o respeito durante os treinos e não tire atenção de quem está dentro do Tatami.
  7. O Tatami não deve ser utilizado para outro fim a que se destina, salvo expressa ordem do professor.
  8. Evite frequentar as aulas se estiver com alguma doença transmissível por ar ou contato.
  9. Se estiver com alguma lesão ou incapacidade física comunique ao professor, antes de iniciar o treino.
  10. Cuide da sua higiene: o Keikogi deve estar sempre limpo e lavado e as unhas bem aparadas, para evitar ferir um companheiro.
  11. Remova toda e qualquer jóia, aliança, relógio, corrente ou qualquer acessório que prejudique seu treino e dos seus parceiros. Cabelos compridos devem ser presos com elástico e não com presilha.
  12. É proibido fumar ou fazer uso de bebida alcoólica em todas as dependências do Dōjō inclusive vestiário e banheiro, assim como chegar embriagado para o treino.
  13. O Dōjō é de responsabilidade de todos que usam seu espaço. Mantenha a mensalidade em dia, pois ela que mantém as despesas do local e dá à você a oportunidade de mostrar um pouco de gratidão pelas lições recebidas.
  14. Sinta-se em casa para dar informações a visitantes, arrumar o que estiver desarrumado, limpar o que estiver sujo.
  15. Se precisar ausentar-se por algum tempo dos treinos por viagens ou doença avise o professor.
  16. Ao entrar ou sair do Tatami faça sempre reverência.
  17. Não pise calçado no Tatami.
  18. Não ande descalço fora do Tatami.
  19. Não entre no Tatami comendo ou até mesmo mastigando chiclete.
  20. Evite atraso, se por motivo de força maior chegar com a aula já iniciada, entre no Tatami discretamente, pedindo licença ao professor, faça uma reverência ao professor e se adapte ao ritmo dos exercícios, evitando que seu atraso prejudique o treino.
  21. Não abandone o Tatami durante a aula. Se você precisar sair temporariamente do Tatami, peça autorização; deve-se pedir autorização até mesmo para usar o banheiro ou tomar água.
  22. Ao entrar no Tatami, esvazie a mente dos problemas diários e foque no treinamento, não leve problemas pessoais para dentro do Tatami.
  23. Evite conflitos de ego no Tatami. O Tatami não é um ringue de competição de vaidade. Você deve treinar para dominar seus próprios instintos agressivos.
  24. Treine exatamente como orientado pelo professor.
  25. Jamais deve-se contra-argumentar com o professor, não há lugar para discussões em um Tatami.
  26. Respeite o Mestre ou professor e seus ensinamentos da forma como forem transmitidos pelo professor. Nunca argumente com o professor, mesmo que outro instrutor tenha dito algo diferente. Existem várias formas de se executar as técnicas e você deve seguir cada instrutor, em cada aula, no melhor de sua capacidade.
  27. Quando o professor demonstrar uma técnica, preste atenção e faça perguntas na hora apropriada.
  28. Não deixe de fazer nenhuma técnica (a não ser que esteja machucado).
  29. Quando o fim de uma técnica for determinado, pare imediatamente. Faça uma reverencia e agradeça seu parceiro.
  30. Não recuse a treinar com nenhum parceiro.
  31. Respeite os mais graduados. Evite discutir sobre a técnica.
  32. Respeite os menos graduados. Não inviabilize sua prática.
  33. Os mais graduados devem, por sua vez, quando treinar com os menos graduados, devem conduzir o movimento. Em caso de dúvida, nunca devem corrigí-los ou instruí-los, a menos que tenha autorização, isso cabe ao professor.
  34. Nunca pense que estará atrapalhando alguém por não saber executar algum movimento, todos estão aprendendo, uns ajudando aos outros.
  35. Esteja consciente do que ocorre ao seu redor. Dose a intensidade dos movimentos principalmente com os menos graduados. Tenha responsabilidade sobre você mesmo e seu companheiro de treino.
  36. Treine com firmeza e energia, mas sempre respeitando a integridade física do colega. Durante as aulas  sempre pessoas de diferentes sexos, idades, capacidade física, habilidades e possibilidades diferentes. Tenha consciência de suas limitações. Cada indivíduo tem suas razões para estar no Tatami. Respeite a todos.
  37. As metas de treinamento de cada parceiro devem ser levadas em consideração.
  38. Procure participar dos eventos: Seminários, demonstrações, palestras, limpezas gerais, comemorações, etc. A sua evolução no Ninjutsu está inteiramente vinculada a presença nesses eventos.
  39. O Ninjutsu é um meio para o desenvolvimento pessoal, para o treinamento do corpo, mente e espírito. Respeito, sinceridade, humildade, cooperação, harmonia e boa vontade são condutas essenciais aos praticantes desta Arte.

QUALIDADES PARA SER UM BOM PROFESSOR

É característica de um bom professor ter liderança e ser capaz de conseguir que outros o sigam, de provocar mudanças comportamentais e funcionais para a melhora do desempenho. A liderança, portanto, é o processo de influenciar o comportamento e motivar o indivíduo a atingir algum resultado, sendo o professor responsável pela supervisão da aula e apoio aos alunos que estão treinando.

Ocorre em diferentes escolas de Artes Marciais a participação de alunos em acontecimentos desagradáveis como confusões, brigas e outras. Talvez seja por uma inadequada formulação das aulas, dos seus objetivos e da qualificação dos professores. Há a necessidade de uma formulação de diretrizes educacionais que gerem mudanças nesse quadro social-desportivo.
 

Existem barreiras que devem ser superadas para a adequação da prática de Artes Marciais, aos conceitos éticos e morais de convívio em sociedade contemporânea:
 
  1. Conhecimento inadequado do assunto a ser tratado na aula, e falta de interesse nos fatores que podem ser modificados.
  2. Falta de conhecimento das estratégias necessárias para modificar tais comportamentos.
  3. A cultura desportiva valoriza certos princípios e desvalorizam outros. 
Não enfatizar a moral, o respeito e a disciplina na sequência didática das aulas e na relação psico-social entre praticantes, professores e adeptos em geral, pode estar contribuindo para que as barreiras sejam difíceis de serem superadas num momento ou por uma parte da população que pratica Artes Marciais.

As habilidades de um professor podem ser relacionadas a tarefas ou a relacionamento, associadas à liderança efetiva. As tarefas se multiplicam e só são assimiladas com estudo, empenho e experiência. Entre elas:

  • Planejamento de exercícios apropriados aos objetivos.
  • Modificação da intensidade e do tipo do exercício.
  • Explicação das precauções em diferentes situações.
  • Esquematização do programa de treino e de equipe.
  • Capacidade de decisão em emergências.
  • Marketing pessoal e de grupo.

No relacionamento associado à liderança efetiva temos exemplos como:

  • A capacidade de ouvir.
  • Atenção às necessidades individuais.
  • Interesse no que diz respeito a novos integrantes do grupo.
  • Aceitação das diferenças individuais.
  • Atenção para a integração do grupo.
  • Habilidade para educar.
  • Capacidade de motivar a equipe.
  • Persistência, honestidade e diplomacia.
  • Afinidade, empatia e outras vias de comunicação com os alunos.

As características e personalidades dos praticantes determinam o estilo de liderança e aí certas características devem ser avaliadas, como o estado de saúde, idade, objetivos e necessidades, classe sócio-econômica e nível educacional. Dentro de qualquer situação e característica dos participantes, um mestre deve ser capaz de manipular o equilíbrio entre os componentes da tarefa-orientada e do relacionamento-orientado, que devem ser incluídos com presença obrigatória nas aulas de Artes Marciais.
 

O estilo de liderança e o equilíbrio na utilização dos comportamentos, quanto às tarefas e o relacionamento, são determinadas de acordo como a situação se apresentar. O tipo de liderança para o indivíduo destreinado e obeso, interessado em perda de peso, é diferente daquele estilo de liderança para atletas preparados ou mais ainda para aqueles que já conseguiram atingir o profissionalismo e deixaram para trás o nível estandardizado de treinamento. A liderança é essencialmente um modo contínuo de estilos, desde o autoritário até o democrático e liberal. Nas situações onde a liberdade de pensamento é reprimida o mais utilizado é o autoritário (como no exército). Em outros casos onde há livre pensamento e a estrutura é resistente, ao estilo flexível é mais indicado. Neste contexto didático-pedagógico observam-se diferentes casos de alunos que só atendem através de comando e vivem na subserviência ou aqueles que se estruturam e decidem seus caminhos, seja orientado por um mestre ou por simples autodeterminação.
 

A motivação auxilia na liderança, nas mudanças que ocorrem e na manutenção dos anos de treino. Orientações com o conhecimento das razões que levam a um comportamento adequado, como saber quais as estratégias para motivar o aluno, que provavelmente, serão úteis para que os praticantes sejam maduros e ativos por mais tempo. A motivação do aluno para mudar ou manter comportamentos saudáveis, depende da educação da tomada de decisão e das habilidades competitivas, assim como a auto-avaliação do desempenho.

A motivação é maximizada quando os praticantes sentem controle sobre os objetivos e as atividades, se são bem sucedidos ou seus esforços são recompensados, de forma intrínseca com auto-estima e autoconfiança ou extrínseca com valorização social e econômica.
 

É então um princípio fundamental na adoção de mudanças comportamentais nos praticantes de Artes Marciais.

Desta forma os adeptos de Artes Marciais devem ter uma premissa de auto-responsabilidade que é central para as mudanças de comportamento pessoal mais saudável.

O bom professor deve programar suas aulas, procurar se reciclar em diferentes conhecimentos, práticos e teóricos, esclarecer suas dúvidas sobre seus procedimentos de ensino, reconhecer suas dificuldades e as necessidades individuais dos alunos. Cabe a ele selecionar os objetivos apropriados para vários grupos, permitir oportunidades de escolha, proporcionar o feedback e replanejar as aulas de acordo com a aprendizagem. O especialista deve ser capaz de ensinar a ciência da arte de lutar, tornar as atividades agradáveis e compensadoras. Essas habilidades podem ser ensinadas e, portanto, o interesse e o conhecimento nesta educação direcionada, é uma parte indispensável da liderança efetiva que os professores devem estar preparados para exercer no contexto das suas aulas de Artes Marciais.

SAUDAÇÃO E ETIQUETA NO BUDŌ

No Budō o Reigisaho tem uma importância fundamental. Para o praticante ocidental, com tradições culturais diferentes das orientais, as exigências da saudação nas Artes Marciais japonesas, como o Ninjutsu, Judō, o Aikidō, o Karatê-Dō, entre outras, são comportamentos que lhe são estranhos e que por vezes adquirem um caráter tão só de obrigatoriedade. Todavia, qualquer Arte Marcial pressupõe a existência de uma severa disciplina na sua execução e aprendizagem; uma arte oriental não se pode conceber sem etiqueta. Diz-se que a Arte Marcial japonesa começa e termina pela delicadeza e respeito mútuo, indispensáveis à elevação da personalidade.O Dōjō deve ser um local onde se desenvolve uma personalidade forte, com qualidades como a humildade, a lealdade, a cortesia, onde o caminho deve ser o de um conhecimento cada vez mais profundo de si mesmo, onde é importante ter presente o significado da saudação, da cortesia, da etiqueta. Porquanto o Dōjō é um "Lugar da Iluminação."

A compreensão da importância do cerimonial é fundamental. A saudação é uma introdução à aula que permitirá ao praticante afastar a mente das preocupações e stress quotidianos, permitindo-lhe a concentração que a prática das Artes Marciais exigem.

Por outro lado, as Artes Marciais tradicionais desenvolvem, através da sua prática a agressividade de cada indivíduo (não confundir com violência). A saudação evita a degeneração de comportamentos agressivos, impedindo a falta de respeito pelo parceiro de treino.

Em todas as Artes Marciais tradicionais, podemos encontrar o Reigisaho, concretizado de modo diferente de Arte para Arte, mas mantendo, quase sempre, o mesmo espírito e função.

No Ocidente, a aceitação ou rejeição do ritual da saudação, correlaciona-se com a atitude, mais ou menos tradicional que os praticantes têm com o Budō. Nas escolas tradicionais, havendo um processo mais profundo de aceitação da cultura oriental, a forma de estar destes adeptos, dentro e fora do Dōjō, na prática marcial e na vida, traduz, em regra uma maior compreensão da etiqueta tradicional.

Tradicionalmente, no Budō a etiqueta deve ser uma constante da vida. Os gestos devem ser belos, precisos, lentos, mesmo os mais quotidianos, como sentar ou levantar, caminhar ou dar algo a alguém. Pois toda ação deve ser executada de modo a permitir, na fração de segundo depois de um ataque surpresa, para usar uma resposta eficaz.

É entendido, tradicionalmente, que a forma de saudar, só por si, revela o nível de compreensão da arte.

A função psicológica da prática marcial é influenciada pela saudação. A forma de o fazer poderá dar-nos indicações sobre a personalidade de um praticante, se ele é tímido, agressivo, reservado, etc...

A saudação interfere não só com as funções psicológicas, mas também com as funções fisiológicas.

A saudação, considerada num plano prático, é uma tomada de consciência do corpo e do controle respiratório através de um movimento bem simples. E isto é tão verdade, que a estabilidade e segurança de um mestre, na saudação, são evidentes. De tal modo que o contrário também é verdadeiro. O valor marcial de um indivíduo revela-se na saudação. Não é credível que alguém que não consiga manter-se sentado de modo estável para saudar, consiga executar com eficiência um outro movimento.

"Quase de forma majestosa, porque toda sua experiência, seu conhecimento, sua humildade estão presentes na saudação."

Em um Dōjō podem encontrar-se vários tipos de saudação.

A prática marcial começa com uma saudação interna, a saudação a si mesmo, dirigida ao íntimo de cada um, com a qual se pretende alcançar o Mestre Interno.

Ao entrar no local de prática há uma primeira saudação exterior, aquela que é feita ao Dōjō, com a qual se demonstra respeito ao lugar da prática.

Com o início da aula todos os praticantes executam, ao mesmo tempo, uma saudação à tradição passiva. Esta saudação feita em direção ao Kamiza, (local dos deuses), onde simbolicamente a tradição passiva se condensa, é o Kamiza Ni Rei, ou Shōmen Ni Rei. Representa o respeito pelos mestres que nos antecederam, pela cadeia de transmissão do saber. Exprime o respeito pelas gerações anteriores, que nos legaram a arte com sofrimento e por vezes com o custo da própria vida. É não só uma humilde e sincera homenagem à tradição passiva, mas também uma forma de inspiração no seu exemplo.

No fim de cada aula repete-se o percurso novamente.

Algumas escolas tradicionais, ainda cultivam o Senpai Ni Reisaudação entre os alunos mais adiantados e os mais novos – o Mestre já não faz a saudação. Representa o respeito que é devido pelos mais novos aos anciãos – Senpai.

Durante a saudação, o estado de alerta, Zanshin, e de antecipação deve ser permanente para evitar um ataque surpresa. Este estado tem a ver com a percepção paranormal desenvolvida pelas Artes Marciais tradicionais, pelo maior ou menor potencial de Ki do praticante. Mas neste trabalho não desenvolveremos estes temas, pois são questões que agora não nos ocuparão.

A maneira de efetuar a saudação tem vários entendimentos: um marcial, outro energético e outro simbólico.

No plano energético, a mão esquerda está associada à energia negativa (Ura) e a mão direita à energia positiva (Omote). Aquela tem um efeito destrutivo, esta tem um efeito construtivo.

O descer da mão esquerda à terra é um gesto simbólico da recusa de fazer mal, em relação àquele que é saudado. Em simultâneo, o contato da mão com o chão neutraliza a potencialidade energética desta mão destruidora.

Com a colocação das duas mãos no chão, estas formam um triângulo equilátero.

No plano marcial a finalidade é a de evitar um ferimento grave no nariz. Em caso de ataque à cabeça por parte de um adversário, o nariz está protegido e não será esmagado no chão.

A nível energético permite a circulação de energia em circuito fechado, possibilitando a concentração mental.

Este gesto simboliza a reunião de três lados: o homem, o céu e a terra. Também simboliza a junção entre tradição passiva e a tradição ativa, em que o Mestre desempenha um papel fundamental: é ele que transmite o conhecimento que já anteriormente lhe tinha sido transmitido. É um circuito de transmissão do conhecimento.

O triângulo simboliza também a capacidade de defender, assim como também a de atacar.

A consciência do elevado valor energético e marcial da etiqueta e da cortesia deve estar sempre presente naqueles que seguem o Budō.

terça-feira, 19 de março de 2013

METODOLOGIA DO INSTRUTOR

O que ensinar na Bujinkan?

Ser instrutor, não significa que se deve ensinar o que lhe ocorrer em um momento de inspiração.
Acho que tem que ensinar o que foi aprendido por própria experiência, mas obviamente o que diz respeito à Bujinkan.

Ser sincero e transmitir os ensinamentos para manter viva as 9 tradições do legado de Sōke, sinto que é de grande valor compartilhar um caminho.

O Sōke tem seguido sempre um padrão de temas a cada ano, o qual tem marcado como etapas conectadas umas às outras para elevar o entendimento e conhecimento dos praticantes. Penso que tratar de passar para a etapa seguinte sem ter terminado a etapa anterior, pode ser uma queda direta para o princípio da ignorância.

Então, se começou a ensinar recentemente, deve se lembrar que sempre será um aluno, um estudante, e deve seguir praticando por toda sua vida. O título de Shidōshi-Ho, de Shidōshi ou Shihan, são simplesmente papéis que te autorizam compartilhar o Budō, mas não que se deixe de treinar com constância. Se aparenta ser um instrutor e não estudar seus próprios erros é possível que faça prática contrária ao Budō e transmita de forma incorreta.



De onde vem seus maus hábitos?

Talvez alguns instrutores tenham aprendido outras Artes Marciais antes de chegar na Bujinkan e sem se dar conta, limitados por suas bases e seus princípios marciais, transmitem mitos de outras Artes Marciais. Às vezes observo pessoas que se movem muito suavemente e seu Taijutsu é aparentemente agradável, mas quando lhe pedem para que façam rápido, começam a fazer outras coisas, entre elas, muitas formas de suas antigas Artes Marciais.

Inclusive, estas Artes Marciais condicionadas na mente e corpo do praticante não venham diretamente da aprendizagem deste estilo, também acontece de algumas delas terem sido recebidas por seus instrutores da Bujinkan que tenham maus hábitos. Então isto se torna uma corrente enferrujada que tem afetado muitos vínculos.

Os hábitos podem ser mudados, mas tem que querer mudá-los. Uma das melhores formas de mudar 5 maus hábitos é incorporar 10 bons hábitos.
Movimento, passo, impulso e inteligência convidam as oportunidades de mudar, mas você só ficar com segurança, é provável que nunca possa melhorar e superar.

Quando tem que esperar, tem que saber fazer com paciência e sem desespero, mas tão pouco não faça de sua vida uma constante espera. Não espere eternamente que o professor chegue e te corrija o que está mal. Comece se movendo, se traduzindo, observando o seu mestre em todas as áreas, deixando que seus exemplos sejam nutrientes para os teus hábitos e tratar de incorporá-los. Estive viajando para o Japão durante muitos anos, às vezes uma ou duas vezes por ano, e tive o privilégio de poder estar com o Sōke não somente no Dōjō, mas também em sua casa, caminhando, fazendo compras, em dias de descanso, etc. Desta forma pude observar seus hábitos em diferentes ambientes e tratar de adaptar-los à minha vida para que sejam nutrientes de vida. O Sōke é um exemplo de vida em muitos aspectos e deveríamos tê-lo como modelo para o caminho de um guerreiro completo da era moderna.



Onde colocar a mente?

Considero que é muito difícil se concentrar no que se pode fazer diferente quando se está muito ocupado culpando os outros e fugindo da responsabilidade dos próprios atos. Ensinar é de grande valor, mas esse valor deve vir da realimentação na prática constante.

Prestar atenção no que é capaz de realizar e não na ilusão do que não se pode por culpa disto ou daquilo, justificando que não se pode treinar por falta de dinheiro, de tempo, disto ou aquilo, é simplesmente uma armadilha do ego.

Sinto que um instrutor deve encontrar os meios e não as desculpas. No passado, um Ninja conseguia concretizar suas missões com diferentes armas, algumas improvisadas para a ocasião e às vezes com métodos poucos ortodoxos. Mas enfim, alcançava os seus objetivos!

Então, a primeira coisa a colocar na mente é o que você quer alcançar, depois não deixar que más emoções preencham o espírito de alegria. Encontrar os meios para alcançar nossos objetivos, e supostamente, lhe dar movimento e ação.



De onde estudo?

Às vezes os instrutores querem reverter seus ensinamentos aos programas de estudo e tem mais instinto em ler, interpretar e compartilhar o que tem que treinar. Não está mal se as técnicas de um programa de estudo ou a maioria delas foram transmitidas pela pessoa correta, mas muitas vezes acontece que as pessoas querem ensinar determinada escola ou arma que nunca aprenderam da forma correta e isto começa a se converter em uma corrente de vínculos enferrujados.

A única forma de evitar que essa corrente se corte e poder limpar a ferrugem, é lubrificar o ser com treinamento. O fluxo do Bufū se faz no lugar e com pessoas corretas, então começa a pertencer a uma corrente de vínculos de luxo, que sem dúvida se faz cada dia mais forte.



Por onde começar uma aula?

O primeiro passo é preparar o corpo. O Jūnan Taisō é uma série de movimentos que dão ao corpo elasticidade, flexibilidade e lubrificam as articulações para poder fazer uma aula. O Jūnan Taisō também tem grandes benefícios sobre a saúde total do corpo.

O segundo passo é praticar o Taihen Jutsu, que são séries de rolamentos, quedas, saltos, esquivas e posições do corpo que devem ser praticados sempre como bases. Embora que se repitam em cada aula, a motivação própria para os estudantes, deve ser a de querer melhorar a fluidez no Taihen Jutsu e aprender a proteger o corpo nestes movimentos. No Tenryū Dōjō começamos com uma série de rolamentos a partir de um Kamae, realizando Zenpō Kaiten, Ushiro Kaiten, Gyaku Kaiten, Ushiro Nagare, Yoko Nagare, Hichō Kaiten, etc. Também fazemos esquivas com formas de golpear e bloqueios (Jōdan Uke, Gedan Uke, etc.).

O terceiro passo é praticar as bases do Taijutsu, que são o Sanshin No Katá e o Kihon Happō. Sem dúvida, depois de muitos anos percebo muitos erros em minhas bases que quero melhorar a cada dia e estou seguro que buscarei até minha última exalação como aperfeiçoar meu Taijutsu. Também espero isso dos meus alunos quando compartilho as bases, que façam delas uma prática para sempre.

O quarto passo é ensinar o Ten Chi Jin Ryaku No Maki e começar com alguma arma em particular. Sempre deve abordar com as formas (Katá) corretas, segundo os programas de estudo. Uma vez que o estudante pode fazer facilmente as formas corretas, deve lhe dar a visão de que existem variações desta mesma forma que apresenta esta técnica de Taijutsu ou de armas. Desta maneira, se dá ao praticante a capacidade de compreender que existem conceitos dentro das técnicas, como os seguintes:

  1. 間合い Maai: Conseguir tomar a distância correta frente ao adversário.
  2. 空間 Kukan: Ser consciente do próprio espaço, do adversário e da técnica.
  3. 構 Kamae: Sem perder a posição, poder manter o Kamae correto durante toda a técnica.
  4. Ura e  Omote: Cada técnica pode ter um aspecto interno e externo.
  5.  Migi e  Hidari: Poder fazer as técnicas pela direita e esquerda.
  6. 上段 Jōdan, 段 Chūdan e 段 Gedan: Desenvolver a habilidade de fazer as técnicas em um nível alto, médio e baixo do corpo.
  7.  Nagare: Aprender a realizar os movimentos fluídos e suaves, sem interrupções.
  8. 十方折衝 Jūppō Sesshō: Encontrar o momento propício de fazer as técnicas com a habilidade de se mover em todas as direções.

Implantar a felicidade, o entusiasmo e a empatia durante a prática, também considero de grande valor despertar aspectos positivos no estudante de Budō.

Incentivar a treinar com constância e participar de todas as aulas e seminários, é enriquecedor não somente para o Taijutsu do estudante, como também para os valores de amizade com outros membros da Bujinkan.

É verdade que todos possuímos diferentes níveis de energia e também é verdade que a vida não é somente treinar, mas muitas vezes a preguiça e apatia nos congelam e se tornam uma força terrivelmente obscura no caminho do Bugeisha. Desenvolver entusiasmo é um caminho próprio, mas de todas as maneiras devemos oferecer as possibilidades aos estudantes de que encontrem formas de ampliar seus horizontes com aulas renovadas e mais metas para alcançar em seu treinamento.

Por último, considero que a essência do Budō e do Ninpō se mantenham muito ocultas no interior, mas que se manifestem no exterior na habilidade da ação. As simples ações de coisas que para muitos são difíceis ou impossíveis de realizar, se tornem realidade com o Ninpō e aquelas coisas que parecem óbvias, passam a nível inferior. Isto é considerado no Japão como Yūgen.

O Yūgen nos mostra as coisas em outro plano, não diretamente, mas sutilmente. Assim como muitos ensinamentos do Ninpō passam despercebidos, mas tem grande repercussão, de forma igual ao Yūgen, mostra que a beleza real se dá através de sua sugestão, somente umas poucas palavras ou umas suaves pinceladas podem sugerir o que não foi dito ou mostrado, e portanto, despertar numerosos sentimentos que elevam o espírito. Cultivar isto como Bugeisha e instrutor da Bujinkan, considero que é importante, e fazê-lo despertar nos estudantes, é sem dúvida uma boa forma de manter viva as tradições que o Sōke nos ensina.

SHIKIN HARAMITSU DAIKŌMYŌ

Dai-Shihan Christian Petroccello





terça-feira, 22 de janeiro de 2013

BENEFÍCIOS EM PRATICAR NINJUTSU

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Além das técnicas de sobrevivência, quem pratica o Ninjutsu conquista, também, uma série de benefícios físicos e mentais. Isso ocorre porque a Arte Marcial busca “alcançar a iluminação”, ou seja, ver a vida de forma simples. “Os praticantes aprendem a ver qualquer situação como algo que se pode resolver. Dessa forma, conquistam a autoconfiança e tornam-se pessoas melhores”. Ao participar das aulas, os alunos também têm uma melhora na postura, coordenação motora e equilíbrio. Pessoas que sofrem de ansiedade, stress e depressão também encontrarão ajuda praticando o Ninjutsu. Com a prática a pessoa começa a se sociabilizar, a ser mais forte e a encarar os medos, pois adquire confiança. Ela aprende a lidar com a força e com a dor, que fazem parte do nosso dia-a-dia.
"Lembrando que a Bujinkan é a única organização com reconhecimento do Império Japonês por disseminar a verdadeira arte Ninja e Samurai pelo Mundo."

Técnicas nas aulas:
Além dos golpes, chaves, alavancas de controle, projeções e pontos vitais, os alunos aprendem também a utilizar algumas armas como bastões, espadas, correntes, etc... Se trabalha a técnica, a utilização das armas e a parte didática.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

忍者精神 NINJA SEISHIN - ESPÍRITO DO NINJA

O poema a seguir é usado no final do Mokusō (limpeza da mente) durante a execução do Shinzen Rei (curva em reconhecimento da tradição) parte do Reihō.
O significado de Ninja Seishin (忍者精神) é "Espírito do Ninja", mas o poema também é conhecido como Ninniku Seishin (忍辱精神), que significa "Espírito de Perseverança."
O poema explica o que significava ser um Ninja e do estado de espírito que eles tinham que ter para completar a sua missão. Em última instância, seu objetivo era lutar contra a injustiça e proteger a si mesmo e o seu país.

PRONÚNCIA:

忍者精神とは
Ninja seishin-towa,

心、身、識を忍ぶ
Shin-shin-shiki-wo shinobu,

忍辱精神を根本とする。
Ninniku seishin-wo konpon-to suru.

恥辱を忍んで恨みを放じ去る
Chijoku-wo shinon-de urami-wo hōji-saru,

忍耐精神を養う事に始まるものである。
Nintai seishin-wo yashinau kotoni hajimaru mono-dearu.

忍とは
Nin-towa,

心の上に刃を置いて、
Kokoro-no ueni yaiba-wo oite,

刃で人を傷つけたり
Yaiba-de hito-wo kizutsuke-tari

する様なものでなく、
Suruyōna monodewa-naku,

花情和楽、
Kajō-waraku,

花の如き情愛をもって
Hana-no gotoki jōai-wo motte,

平和を楽しむものである
Heiwa-wo tanoshimu mono-dearu.

故に、体を以って
Yueni, tai-wo motte,

自然に相手の剣を避け、
Shizen-ni aite-no ken-wo sake,

姿を消す、
Sugata-wo kesu,

虚実転換の妙を得、
Kyojitsu tenkan-no myō-wo-e,

一朝国の為とか、義の為に、
Icchō kuni-no tametoka, gi-no-tameni,

地水火風空の
Chi Sui Ka Fū Kū-no

大自然を利用して
Daishizen-wo riyōshite,

相手を制する事が
Aite-wo seisuru kotoga,

忍者の根本原則である。
Ninja-no konpon gensoku dearu. 



TRADUÇÃO:
O espírito do Ninja.
Corpo, mente, consciência, como um suportando todos.
Este é o princípio do espírito tolerante.
Primeiro suportar toda a humilhação, denunciar a má vontade e ressentimento, elevando o espírito para adquirir a virtude da paciência.
Não considere o significado de "Nin" por ser a lâmina antes do coração, mas saber que o coração da flor é de paz e harmonia, e como o amor e carinho da flor, há felicidade na paz.
Consequentemente, o corpo irá naturalmente escapar da espada, desaparecendo, o milagre da verdade e da falsidade em táticas de distração.
Pelo seu país, pela justiça usando os elementos da natureza, Terra, Água, Fogo, Vento e Vazio, para subjugar os adversários.

Esta é a essência do Ninja.


"A essência do espírito do Ninja é o poder de usar a paciência juntamente com o corpo, mente e o subconsciente.

É esse poder que o homem desenvolve pelo treinamento árduo.
E o resultado vai gerar na pessoa uma habilidade tal, capaz de assimilar qualquer insulto e mais tarde, exorcizar, lançando para fora de si, toda e qualquer fagulha de ressentimento (Nintai Seishin).

O verdadeiro significado para o Nin é possuir um coração pacificado, repleto de alegria e amor, semelhante ao da flor "Kajō Waraku".

Não se deve colocar a espada antes do coração.
É também de suma importância a aquisição de um bom conhecimento da diversidade tática, usando ambos, o coração e o corpo, e em situações de emergência, ser capaz de desaparecer. Isso é conhecido como Kyojitsu Tenkan, que tem como intuito aniquilar o mau com as forças da Terra, Água, Fogo, Vento e Vazio em defesa própria ou do país."  

domingo, 22 de julho de 2012

基本八歩 KIHON HAPPŌ


Este grupo técnico provém da escola Gyokko Ryū Kosshi Jutsu e é dividido em dois grupos:

  • Koshi Kihon Sanpō No Katá (técnicas de defesa usando Kosshi Jutsu)
  • Hoshu Kihon Gohō No Katá (técnicas de luxações - Jūtai Jutsu)

Takamatsu Sensei ensinou Hatsumi Sōke, usando como base essas 8 técnicas que poderiam, se corretamente compreendidas, formar um sistema completo de combate.

Hoje em dia, os Dōjō adotam este grupo técnico como a "coluna vertebral" para o aprendizado e a compreensão de outros movimentos. Essas técnicas também estimulam o estudante a abrir a mente e o coração, pontos importantes para o desenvolvimento no Budō.

Por esses motivos, o estudante deve a cada aula buscar novas descobertas na prática do Kihon Happō, que poderão ajudá-lo a desenvolver uma boa percepção de distância, Kamae, tempo e ritmo de luta.

Pontos a considerar na hora da prática do Kihon:

  • Kamae Correto
    Postura equilibrada e relaxada, tendo total consciência do corpo e do espaço.
  • Distância Correta
    Procurar o ponto de distância adequado para cada técnica.
  • Tempo Correto
    Ao ajustarmos a distância certa, encontramos o tempo correto para nos movermos.
  • Keiko
    Cada movimento deve ser feito de maneira concreta, ou seja, o Budōka deve colocar atitude mental e física em todas as etapas da técnica.
  • Mente Aberta/Visão do Infinito
    O Kihon possui 8 Katá (formas), que depois de praticadas por diversas vezes, devem ser interpretadas de várias maneiras para buscar o sentimento de cada movimento (Kankaku).

三心の型 SANSHIN NO KATÁ

Dentro da Bujinkan praticamos o Sanshin No Katá ou Go Gyō No Katá, para entender através do movimento, o sentimento de cada elemento usado no combate de Taijutsu.

A essência destes movimentos reside na naturalidade deles mesmos. Para alcançar isto, Hatsumi Sensei disse que temos que ter a inocência de uma criança de 3 anos.

Podemos compreender que, a prioridade é ser natural. Na Vida e no Budō, deve-se ter um sentimento de abertura sincera (Magokorō) não somente durante o treinamento, mas também com a família, com o conjugue, com os amigos, no trabalho e na sociedade. O que começa por ser algo positivo dentro de nós, então se estende aos nossos costumes.

Os 5 elementos que compõem o Sanshin No Katá são:

  • 地の型 Chi No Katá (Forma da Terra)
    Representa uma postura forte, centrada e enraizada, comparada a uma grande montanha. Um bom Kamae (Postura) só pode ser alcançado quando se compreende o elemento Chi. Conectar-se com a Terra significa harmonizar-se com as leis da física e Universais e tê-las a seu favor.
  • 水の型 Sui No Katá (Forma da Água)
    Representa a adaptabilidade dos líquidos. Tal fluidez, quando adquirida, pode se transformar em uma grande onda que retrocede e retoma sua força, elevando-se e estourando com muita energia.
  • 火の型 Ka No Katá (Forma do Fogo)
    A energia interna acumulada que pode transparecer através de movimentos explosivos e agressivos. O Fogo também representa a energia transformada em calor, fruto que também se desenvolve a partir do seu interior como o Magma da vida.
  • 風の型 Fū No Katá (Forma do Vento)
    Caracteriza a constância dos movimentos. Um comportamento imutável, delicadamente soprado pelo Vento (Fudō Shin). O Ninja se movia como o vento e, assim como ele, não podia ser visto, apenas sentido.
  • 空の型 Kū No Katá (Forma do Vazio)
    O elemento mais importante de todos, pois representa o espaço (Kukan) essencial para que os outros 4 elementos possam existir. Kū No Katá é o ponto neutro do Universo onde tudo nasce, se desenvolve e morre. Também representado nos Vedas (escrituras sagradas do Hinduísmo) como BrahmaVishnu e Shiva (San Shin).

O Sanshin No Katá é também conhecido pelos seguintes nomes:

  • Gako
  • Shoshin Go Katá
  • Shoshin Go Kei Go Gyō No Katá
  • Goshin No Katá
  • Sanshi Tsuki
  • Gakō No Katá

Takamatsu Sensei, quando escrevia a palavra Sanshin, usava o Kanji de "3 Dedos". Atualmente, Hatsumi Sensei usa o Kanji de "3 Corações". Hatsumi Sensei diz que tem muito carinho no coração de uma criança de 3 anos, e quando ensina o Sanshin No Katá, sempre pensa no coração de uma criança de 3 anos.

O Sanshin No Katá é o sentimento dos "3 Espíritos" ou "3 Corações".
No Budō Taijutsu se refere às formas dos 5 Elementos, para assim, ter a inteligência e sentimentos necessários que nos permitem aplicá-los em todos os aspectos da vida.

Sanshin No Katá descreve-se em uma seção dos ensinamentos secretos de Gyokko Ryū, que ensina princípios que temos que aprender por nós mesmos com o espírito de uma criança de 3 anos, não esquecendo o espírito incluso ainda que pensem que realizem essas técnicas.

Tais formas não devem ser praticadas como Katá rígidos de combate, ao contrário, assim como uma criança de 3 anos, que ainda está descobrindo e desenvolvendo suas funções motoras, um Budōka utiliza tais conceitos para adquirir consciência corporal e harmonia. Tal descobrimento não pode ser forçado. Encontrar a harmonia do movimento com a respiração e a naturalidade requer prática sincera e constante, e não necessariamente um treinamento exaustivo para alcançar a forma.

Praticar o Sanshin No Katá nos liberta o coração para poder, futuramente, compreender a relação existente entre os 3 planos (San Kai), denominados Ten (Céu), Chi (Terra), Jin (Homem).

Uma das grandes virtudes de um praticante de Artes Marciais Bujinkan é aplicar os ensinamentos do Budō à sua vida cotidiana, portanto, de uma forma mais avançada, devemos desenvolver a capacidade de aplicarmos os conceitos de Sanshin No Katá, ou Godai, em diversas técnicas e situações da vida. Nesse nível encontramos o sexto elemento, denominado Shiki (Consciência).

sábado, 7 de julho de 2012

BUDÔ ESPONTÂNEO

O Budō da Bujinkan não é matemático, é espontâneo e se adapta às mudanças infinitas. É muito difícil de entender isto, mesmo para praticantes e professores avançados. O Budō da Bujinkan é a mente e o coração de Hatsumi Sensei com a herança de mais de 200 mestres, isto significa que é a criatividade constante conectada ao Universo infinito.

Se não conhece Hatsumi Sensei, é muito difícil entender a sua Arte. Se não compartilhou momentos tanto dentro quanto fora do Tatami, é difícil ver a realidade do mestre.

Muitas das imagens criadas por seus estudantes ao redor do mundo são pensamentos de como seria Hatsumi Sensei fora e dentro do Tatami. Estas são simplesmente projeções ilusórias numa necessidade da mente de ter onde se agarrar. Apegam-se a lendas, contos, histórias que ouviram ou leram, desta maneira, formam a sua própria imagem.

Julgar os seus métodos ou tentar entendê-los por lógica, é totalmente inútil. Por exemplo, tentar ordenar as práticas e graduações, é tentar fazer da Bujinkan uma organização desportiva, onde o sistema é formado por limites e acordos, para ganhar ou perder. O Budō da Bujinkan não é um esporte e, inclusive, não pode ser conduzido, treinado e transmitido da mesma forma que em outras Artes Marciais. De jeito nenhum!! Se você praticou outra Arte Marcial, deve mudar o dialeto e esvaziar-se das outras Artes Marciais para alcançar a compreensão da linguagem da Bujinkan. A linguagem é a simplicidade do desconhecido, é a essência do “não caminho” (Mudō) em novos sons provenientes da sobrevivência de milhares de guerreiros.

Sōke disse uma vez que a concentração ou o enfoque no Budō é diferente dos esportes e este é um ponto interessante e essencial. Isto significa que a mentalidade do Budō está além da simplicidade do esporte ou, melhor ainda, da competição. O propósito é universalmente diferente já que um é focado em ganhar e o outro em sobrevivência. Esportes empregam regras e a mentalidade do Ninja é projetada para romper o senso comum e florescer em um ambiente de maneira incomum.

Desta forma, as técnicas são pouco ortodoxas, assim como a maneira de pensar, treinar e até mesmo as graduações de seus praticantes. No entanto, o tempo vai demostrando que esta é a forma natural de ser, lembrando-nos do instinto essencial de sobrevivência e conexão com a totalidade.

Sinto que é importante não limitar as mentes para organizar as graduações da Bujinkan baseadas apenas em tempo de prática, em quantidade e qualidade técnica. As graduações são simplesmente Kyōjitsu que movem o poder das pessoas levantando seu espírito ou destruindo-os no sofrimento de seus egos. Uma graduação, muitas vezes, levanta o espírito de uma pessoa, enquanto aflora o veneno oculto de outros que são testemunhas.

O Hikari No Kaname (ponto essencial luminoso) está na pessoa que brilha, cresce, comemora e se esforça para aprender a conduzir a graduação recebida. Este é um ponto vital para fazer uma pessoa sentir-se bem levando para o seu âmbito diário.

No entanto, como existem pontos brilhantes, também existem pontos escuros, que são apenas a falta de luz, como um buraco negro no universo que absorve e destrói a matéria, se somos governados por ciúmes, acusação e a inveja do crescimento ou felicidade dos outros, então também seremos autodestruídos. O pior de tudo é que sempre acabamos levando alguém com a gente e nossa infelicidade prejudica outros seres inocentes.

Treinem para serem felizes, treinem para melhorarem o coração e a técnica, treinem para compartilhar. Não limitem a prática ao aspecto físico, que é finito e perecível, treinem ainda mais arduamente para fazer brilhar suas mentes e corações, para desenvolver as habilidades verdadeiras da configuração humana, tanto dentro quanto fora do Tatami. Não há necessidade de ostentar o que você faz dentro ou fora do Dōjō, para ajudar os outros é mais importante que essas ações sejam verdadeiras e realmente ajudem aos outros, não apenas nós mesmos.

Sōke disse: “Se o espírito é correto, qualquer lugar pode ser um Dōjō.” Algumas pessoas acreditam que mais se aprende a partir das aulas com poucas pessoas. O fato é que, se não compreendem ou não, praticam o que supostamente lhe foram ensinados, não importa se há 100 pessoas ou 10. “Budō não é uma questão intelectual. Só de pensar e falar sobre isso não os fará melhor”

O desafio consiste na integração dos ensinamentos do Budō às nossas vidas, com o propósito de êxito, felicidade, equilíbrio e bem estar. Além de evitar uma fixação nos aspectos violentos do Budō para a manutenção da paz e harmonia.

Treinar no lugar certo e com a pessoa certa pode elevar-nos para a realização pessoal. Porém, se não está bem consigo mesmo, nunca poderá receber o ensinamento correto. Se o coração está sujo, poderá estar ao lado do Sōke e apenas notar que seu cabelo é roxo ou que suas calças estão ao contrário, se você estiver com um coração puro e mente clara, poderá apreciar milhares de ensinamentos do Sōke e de centenas de professores, inclusive muito além das palavras.

Raramente podemos apreciar o quanto uma pessoa fez Shugyō em sua mente e coração, tanto dentro quanto fora do Dōjō. O sacrifício de cada pessoa é individual e particular, não se trata de fazer milhares Kaiten ou centenas de Kihon Happō, trata-se da realização de um coração verdadeiro e um espírito brilhante em um corpo saudável. Podemos acreditar que um treinamento árduo purifica nosso espirito, mas se você não tem a orientação adequada e apenas se conduz no caminho certo, não servirá para nada treinar milhares de horas.

Kokorō Gamae é a busca.

Christian Petroccello.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

ENXERGANDO A REALIDADE

Em todo grupo de pessoas em nossa sociedade, assim como há pessoas boas, honestas, sinceras, verdadeiras, justas, há também as pessoas más, oportunistas, gananciosas, mentirosas, picaretas, etc.Como em todo grupo de pessoas, na Bujinkan não é diferente, infelizmente. Pois há muitos instrutores que são gananciosos e totalmente sem ética alguma, que vendem graduações ou que simplesmente dão graduações somente para agradar o praticante com a finalidade de "comprar aluno" para que este o represente e passe a ser seu aluno, e pior, também já vi entrega de certificados falsos e estes não possuem nenhuma validade, sendo que os certificados de graduação autênticos somente são emitidos no Honbu Dōjō no Japão por Masaaki Hatsumi - Sōke, assim como os cartões de membro (Membership e Shidōshi-Kai).

Em alguns Dōjō da Bujinkan há pessoas com o conhecimento sobre a reputação destes instrutores, que foram correndo para para estes quando souberam como era fácil de obter graduações através deles, mesmo sendo contra seus próprios princípios.
Estes que ostentam a graduação que detêm, não são artistas marciais.

O Instrutor que gradua um aluno com esta finalidade, está iludindo este aluno, que passa a acreditar que está capacitado para algo que na verdade não está. Futuramente este aluno, ao se tornar faixa preta e começar a lecionar, este não terá a aptidão e a base necessária para instruir e assim estará ensinando incorretamente aos seus alunos, gerando assim uma geração de praticantes "perdidos" e sem base, além de poder gerar futuros instrutores sem ética, pois como eu costumo dizer: "O aluno é o reflexo de seu professor".

Isto é péssimo para o desenvolvimento da Bujinkan. Cada graduação tem o seu tempo, quando digo tempo, não estou referindo a horas, meses ou anos e sim o tempo da pessoa, cada pessoa tem o seu tempo de aprendizado e de compreensão. Uma graduação envolve muita coisa, como qualidade técnica, compreensão, conduta, responsabilidade e muitos outros fatores.

São pouquíssimas as pessoas que podem entender o que significa treinar uma Arte Marcial e que tem um verdadeiro interesse nisto, para a maioria das pessoas é muito fácil deixar-se seduzir por graduações ou faixas coloridas, as quais não servem absolutamente para nada em situações reais.

Por isso que é muito importante um instrutor agir corretamente e com sinceridade com seus alunos, para que estes se desenvolvam corretamente e se tornem ótimos Budōka para que assim possam compartilhar o real Budō.

Nós, instrutores da Bujinkan, devemos fazer o nosso papel de mostrar a verdade e fazer o possível para alertar e ajudar as pessoas que tem interesse de praticar a nossa Arte Marcial a encontrar o caminho correto e verdadeiro, para que estas pessoas não sejam iludidas e enganadas por tais instrutores incorretos.

Não há como pular etapas, para chegar no alto é necessário pisar em todos os degraus.
Ninjutsu significa "Arte de Persistir", "Arte de Perseverar", "Arte de Suportar", entre outros significados.

Então deve-se ter paciência e perseverança, somente assim para trilhar esse caminho.
Segue abaixo a tradução do certificado de graduação:


Shinmuryō Dōjō (Local de Treinamento da Verdade sem Medida)
 

Espero ter ajudado e ter contribuído para que a Bujinkan seja difundida da maneira correta.

"Para o triunfo do mal, basta que os bons não façam nada."

 
Um grande abraço à todos meus Buyū (Amigo Marcial) e alunos.

--
Galleni Junior - Bujinkan Shidōshi

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